galvanismo

Categoria: Reviews

Birdman

A meta-história contada e encenada em Birdman é de um primor tão grande, que dificilmente encontra rival a altura na temporada.

Existem poucas cenas desnecessárias (por mim, a relação entre Norton e Emma poderia dar lugar a qualquer cena com Watts, que está melhor do que a atual queridinha de Hollywood).

Até as pequenas aparições de Amy Ryan são lindas e essenciais.

Muitos dizem que Riggan pode ser um Michael Keaton extrapolado, não acho. O ator encara um personagem dúbio e bem construído pelo roteiro de Alejandro González Iñárritu, que aqui dirige sua grande obra, com suas melhores características canalizadas (o surreal junto ao teatral), transformando o que seria uma intricada obra contada como um lindo plano-sequência, em uma incrível obra.

SCANDAL

Em 2009, conhecemos Alicia Florrick e sua personagem feminina marcante na televisão. Antes, em 2007, tivemos aquela que é uma pequena pérola da televisão, Patty Hewes. E 2012, muitos apostaram em outro nome que deixaria rastros por onde passaria. Olivia Pope.
Scandal nasceu com o objetivo de reforçar o gás nesse tipo de personagem forte, que mescla a vida de mulheres com as corporações em que fazem parte. Sendo assim, Scandal é um prato cheio. Viciante e com casos interessantes, porém, desenvolvidos rapidamente.
Por um outro lado, temos o tema político que ronda, atualmente, a televisão. House of Cards renasceu aquele interesse perdido desde West Wing. Political Animals também. E em se tratando de política, esses dois últimos dão um banho em na série de Shonda Rhimes.
Com uma primeira temporada de apenas sete episódios, aconselho, sem receio, a dar uma chance. Mas sou sincero em afirmar que não fiquei tão empolgado para assistir o desfecho de algumas problemáticas levantadas no último episódio.
E fica um ponto a mais para o elenco. Kerry muito boa e a equipe dela é sensacional, tirando a Katie Lowes que não me desce de jeito nenhum.

Hitchcock

Se não fosse de outra forma, esse filme passaria desapercebido. O elenco que encabeça essa ‘aventura’ chama a atenção devida, junto a um atrativo tema metafórico sobre a construção de um filme. Prato cheio para cinéfilos que, mesmo com as críticas negativas, tenta, em vão, descobrir a obra por completo e contradizer as más línguas. Pena que ficamos apenas no desejo, pois, de todas as cenas mal formuladas e de péssimo gosto que o diretor constrói, apenas uma, no ápice e como se fosse escrita por outra pessoa é interpretada por Helen em um lapso de convencimento. Caso contrário, nada restaria.

Hitchcock (dir. Sacha Gervasi) ★

Silver Linings Playbook

A fórmula da comédia romântica colocada à prova no superestimado filme de O. Russell. Não é a melhor Jennifer Lawrence que já vimos (Winter’s Bone), mas ela está ótima. Assim como Robert De Niro. No geral, por mais que os personagens sejam complexos e bem interpretados, a história tem um começo, meio e fim esperado, com um clímax romântico clichê. Entretenimento fácil, porém desgastado.

Silver Linings Playbook (dir. David O. Russell) ★★

Lincoln

Quase como uma redenção ao seu último ‘épico’ (War Horse), Spielberg reescreve a história de Lincoln com personagens e histórias que sempre desaguam no seu protagonista e mesmo que o roteiro anticlimático não chegue a nos tocar de forma profunda, existe um ar contemporâneo que permeia discussões extremamente atuais.

Entregando mais uma vez uma composição técnica (por vezes até mecânica), Daniel vem como favorito em uma categoria que claramente tem concorrentes que se destacam muito mais pela emoção. Quem realmente brilha é Tommy Lee Jones, com um claro destaque em toda sua filmografia, faz do político republicano um personagem astuto e mordaz, conseguindo um equilíbrio entre a técnica estudada e a emoção que vem a tona.

Lincoln (dir. Steven Spielberg) ★★★