galvanismo

Categoria: Cinema

Caminhos da Floresta

A música de Sondheim permanece incrível, mesmo que a maioria tenha seu contexto ou motivação alterada. As vozes são belas (apenas o Pine destoa um pouco) e Emily Blunt é a que melhor consegue transmitir as dubiedades do personagem.

Mas Caminhos da Floresta acabou sendo muito prejudicado pelos cortes no roteiro e os desfechos escolhidos, tirando um pouco a profundidade das situações. Essa estratégia da própria Disney – e que foi absorvida pelo roteirista original e por Rob – faz um filme que se comporta como Malévola, levantando questões morais e universais, mas sem explorá-las com sagacidade.

Marshall tem uma absurda competência em reunir um bom elenco, porém faz melhores filmes quando fica longe da fantasia e continua na escola que lhe formou (Bob Fosse).

O Jogo da Imitação

Ficando em um abismo entre desenvolver seus personagens secundários ou voltar-se para a vida do Turing, o filme acaba prejudica os coadjuvantes (inclusive a indicada Keira Knightley, que aqui só faz o contraponto com o personagem principal) e não desenvolvendo mais contexto aos fatos.

Se valendo de uma direção, roteiro e edição apenas correta, é fácil dizer que preencheu a vaga de filme britânico na cota de indicações, sem tirar o mérito de ser um bom filme.

Benedict Cumberbatch, que ainda está para viver algum personagem que mereça a vitória no Oscar, repete com entusiasmo seus melhores momentos: gênio, louco, introspectivo, com segredos e com a empatia e destreza nos relacionamentos semelhantes a uma porta.

Birdman

A meta-história contada e encenada em Birdman é de um primor tão grande, que dificilmente encontra rival a altura na temporada.

Existem poucas cenas desnecessárias (por mim, a relação entre Norton e Emma poderia dar lugar a qualquer cena com Watts, que está melhor do que a atual queridinha de Hollywood).

Até as pequenas aparições de Amy Ryan são lindas e essenciais.

Muitos dizem que Riggan pode ser um Michael Keaton extrapolado, não acho. O ator encara um personagem dúbio e bem construído pelo roteiro de Alejandro González Iñárritu, que aqui dirige sua grande obra, com suas melhores características canalizadas (o surreal junto ao teatral), transformando o que seria uma intricada obra contada como um lindo plano-sequência, em uma incrível obra.

O Congresso Futurista

Ari Folman, que tão bem já descreveu o real com seus filmes, se arrisca a pensar um futuro e acerta novamente. Dessa vez com a ajuda de Robin Wright (atriz de 2014, para mim), ele desenvolve histórias da consequência de uma fusão de empresa de entretenimento e indústria química de alucinógenos, tendo como guia a jornada de uma artista que vendeu sua imagem para ser manipulada como bem os estúdios quiserem. Isso resultou tanto em uma análise subjetiva sobre as necessidades da vida, quanto uma crítica à manipulação (ou seria venda) da nossa identidade para empresas. Tudo isso com um desenho que só Folman consegue traçar.

Melhores 2014