galvanismo

Categoria: Cinema

Amaldiçoado

‘No inferno, abrace o diabo’ é o lema desse filme, que mesmo com um CGI de baixo orçamento, faz com que se reflita sobre com que mal podemos aprender a conviver. Alexandre Aja continua fazendo ótimos filmes de suspense e Daniel Radcliffe se arriscando em excelentes papéis.

Dois Dias, Uma Noite

Uma versão belga de O Céu de Suely.
V
erdadeiro, cru e intragável nos momentos certos.
Marion em mais uma soberba interpretação de um personagem cheio de tropeços e inseguranças.
A crise europeia é apenas um plano de fundo para contar uma história sobre sobrevivência, nada mais do que isso, e os irmãos Dardenne souberam dirigir essa análise de forma espetacular.

 

Interestelar

Épico, no melhor estilo Nolan, porém melancólico como nenhum outro filme que ele dirigiu, Interestelar segue sua jornada (excessivamente longa), não optando entre defender a ciência da gravidade e mecânica quântica ou os laços afetivos como forças desconhecidas. Traz, porém, um time de atores que se esforçam para passar toda a carga dramática que o roteiro transporta e sem dúvidas um ótimo trabalho de efeitos para retratar o universo desconhecido. No final, é como se Nolan quisesse fazer uma espécie de Prometheus (aventura em busca de respostas) somado à Gravidade (o espaço como cenário para autodescobertas), infelizmente não alcança nenhum dos dois, mas entrega, a final, um bom entretenimento pseudo-científico.

O Abutre

O Abutre não pretende julgar as atitudes dos personagens, porém expõe o desejo pornográfico de ter cenas de crimes expostos na mídia. Todo o desenvolvimento desse novo mundo é auxiliado pelo desempenho de Jake Gyllenhaal, que mantém muito bem os aspectos de loucura de Lou. Ótima estreia de Dan Gilroy na direção de longas. Que venham mais filmes.

Amor, Plástico e Barulho

Maeve Jinkings - Amor, Plástico e Barulho

Maeve Jinkings – Amor, Plástico e Barulho

Maeve Jinkings interpreta uma versão pouco puritana de Margo Channing enquanto Nash Laila a Eve Harrington de uma forma inesperada. Ambas, perfeitas em seus papéis, trazem para Amor, Plástico e Barulho tudo que é necessário para apresentar o embate entre a musa do passado e a estrela do futuro, mas com uma dubiedade incrível, na qual os sentimentos de respeito e inveja caminham em conjunto.

Elas dividem os homens, compartilham o palco e, juntas, sofrem para manter aquilo que conquistaram. E dessa forma mais crua e real possível, a pernambucana Renata Pinheiro dirige seu filme de estreia, com a segurança de apresentar Recife cheia de brilho e suor e seu roteiro nunca caindo no óbvio.

A trilha sonora idealizada por DJ Dolores coloca a musica brega quase como um pedestal para que as atrizes mostrem suas frustações e anseios. A cena em particular, a capela, com Chupa Que É De Uva é uma das melhores do cinema pernambucano atual.

Abrindo um parágrafo explicitamente barrista, Recife mais uma vez mostrando que não só de comédias se monta a cinegrafia brasileira. Aqui, temos momentos de descontração e risos, mas dentro de um contexto próprio e necessário. Poderia citar apenas nos últimos três anos, filmes que ou se arriscaram na narrativa ou que trouxeram o melhor do cinema nacional (O Som Ao Redor, Tatuagem e Eles Voltam). Que possamos nos orgulhar ainda mais desse nosso Estado.

 

Caminhos da Floresta

A música de Sondheim permanece incrível, mesmo que a maioria tenha seu contexto ou motivação alterada. As vozes são belas (apenas o Pine destoa um pouco) e Emily Blunt é a que melhor consegue transmitir as dubiedades do personagem.

Mas Caminhos da Floresta acabou sendo muito prejudicado pelos cortes no roteiro e os desfechos escolhidos, tirando um pouco a profundidade das situações. Essa estratégia da própria Disney – e que foi absorvida pelo roteirista original e por Rob – faz um filme que se comporta como Malévola, levantando questões morais e universais, mas sem explorá-las com sagacidade.

Marshall tem uma absurda competência em reunir um bom elenco, porém faz melhores filmes quando fica longe da fantasia e continua na escola que lhe formou (Bob Fosse).

O Jogo da Imitação

Ficando em um abismo entre desenvolver seus personagens secundários ou voltar-se para a vida do Turing, o filme acaba prejudica os coadjuvantes (inclusive a indicada Keira Knightley, que aqui só faz o contraponto com o personagem principal) e não desenvolvendo mais contexto aos fatos.

Se valendo de uma direção, roteiro e edição apenas correta, é fácil dizer que preencheu a vaga de filme britânico na cota de indicações, sem tirar o mérito de ser um bom filme.

Benedict Cumberbatch, que ainda está para viver algum personagem que mereça a vitória no Oscar, repete com entusiasmo seus melhores momentos: gênio, louco, introspectivo, com segredos e com a empatia e destreza nos relacionamentos semelhantes a uma porta.