Amor, Plástico e Barulho

por Luis Galvão

Maeve Jinkings - Amor, Plástico e Barulho

Maeve Jinkings – Amor, Plástico e Barulho

Maeve Jinkings interpreta uma versão pouco puritana de Margo Channing enquanto Nash Laila a Eve Harrington de uma forma inesperada. Ambas, perfeitas em seus papéis, trazem para Amor, Plástico e Barulho tudo que é necessário para apresentar o embate entre a musa do passado e a estrela do futuro, mas com uma dubiedade incrível, na qual os sentimentos de respeito e inveja caminham em conjunto.

Elas dividem os homens, compartilham o palco e, juntas, sofrem para manter aquilo que conquistaram. E dessa forma mais crua e real possível, a pernambucana Renata Pinheiro dirige seu filme de estreia, com a segurança de apresentar Recife cheia de brilho e suor e seu roteiro nunca caindo no óbvio.

A trilha sonora idealizada por DJ Dolores coloca a musica brega quase como um pedestal para que as atrizes mostrem suas frustações e anseios. A cena em particular, a capela, com Chupa Que É De Uva é uma das melhores do cinema pernambucano atual.

Abrindo um parágrafo explicitamente barrista, Recife mais uma vez mostrando que não só de comédias se monta a cinegrafia brasileira. Aqui, temos momentos de descontração e risos, mas dentro de um contexto próprio e necessário. Poderia citar apenas nos últimos três anos, filmes que ou se arriscaram na narrativa ou que trouxeram o melhor do cinema nacional (O Som Ao Redor, Tatuagem e Eles Voltam). Que possamos nos orgulhar ainda mais desse nosso Estado.