VENTOS DE AGOSTO

por Luis Galvão

 

O exercício que é assistir Ventos de Agosto, do diretor Gabriel Mascaro (da pseudo-ficção Domesticas), é algo semelhante às quebradas do mar em pedras. Uma imagem que a primeira vista pode parecer igual, mas que a cada novo encontro da água com produz um som e uma imagem diferente. Ventos de Agosto deveria narrar a história simples de um casal no litoral do Nordeste tendo a vida um pouco alterada com a chegada de um estudioso que vai à praia para gravar o tal som dos ventos, mas Mascaro constrói com tanta naturalidade as imagens étnicas desse povo que consegue refletir muito mais do que isso. Faz um retrato sincero e por vezes naturalista sobre as relações humanas e as nossas prioridades. Muitos julgam que o desenho criado por ele versa quase como um documentário ou um estudo filmado sobre a região do que com uma ficção, isso realmente não prejudica o lado experimental e contemplativo que é estabelecido, fazendo dessa, uma das boas pérolas que o cinema nacional está explorando. (VENTOS DE AGOSTO, 2014, GABRIEL MASCARO)