JANELA INTERNACIONAL DE CINEMA |Filas não, por favor!

por Luis Galvão

Como gostamos de sofrer em festival, né? Ontem mesmo, na abertura da bilheteria para o Janela Internacional de Cinema do Recife, já começamos nossa jornada nas filas gigantes que ainda habitam a maioria dos festivais do Brasil. Foram ‘apenas’ 7 horas de fila para conseguir garantir ingress para o Janela, que, dentre tantos erros operacionais na venda, ainda relata a ‘normalidade’ de filas como essas. Gente, atender 100 pessoas não é um bicho de 7 cabeças. Ter apenas um bilheteiro, não ter um sistema para controlar os ingressos restantes e não ter ninguém nem para organizar a fila, isso sim é um dragão que enfrentamos.

No final das contas, minha agenda me permitiu programas os seguitnes filmes durante a semana:

– SINFONIA DA NECRÓPOLE (Brasil, 2014, 84 min), de Juliana Rojas: Na cidade de São Paulo, a rotina do aprendiz de coveiro Deodato muda quando uma nova funcionária chega ao cemitério. Juntos, eles devem fazer o recadastramento dos túmulos abandonados, mas estranhos eventos fazem o aprendiz questionar as implicações de se mexer com os mortos.

– BRASIL S/A (PE, 2014, 72 min), de Marcelo Pedroso: No Brasil dos últimos 500 anos, Edilson esteve cortando cana-de-açúcar. Um dia, as máquinas chegaram e ele deixou o corte para se engajar em sua primeira missão espacial. Um pequeno passo para ele, um salto enorme para o Brasil.

– VENTOS DE AGOSTO (PE, 2014, 77 min), de Gabriel Mascaro: Shirley deixou a cidade grande para viver em uma pequena e pacata vila litorânea cuidando de sua avó. Ela trabalha numa plantação de coco dirigindo trator. Mesmo isolada, cultiva o gosto pelo punk rock e o sonho de ser tatuadora. Ela está de caso com Jeison, um rapaz que também trabalha na fazenda de cocos e nas horas vagas faz pesca subaquática de lagosta e polvo. Um estranho pesquisador chega na Vila para registrar o som dos ventos alísios que emanam da Zona de Convergência Intertropical. O mês de agosto marca a chegada das tempestades e das altas marés. Os ventos crescentes marcarão os próximos dias da pequena vila colocando Shirley e Jeison numa jornada sobre perda e memória, a vida e a morte, o vento e o mar.

– PROMETO UM DIA DEIXAR ESSA CIDADE (PE, 2014, 90 min), de Daniel Aragão: Joli retorna para casa após passar um longo período numa clínica de reabilitação. Seu pai, Antônio, um famoso político da cidade, está bastante preocupado com sua conduta e reinserção na sociedade. Este é o momento no qual pai e filha tentam reatar os laços partidos da relação

– OBRA (SP, 2014, 80 min), de Gregorio Graziosi: Na populosa Cidade de Sao Paulo, um jovem arquiteto envolvido na construção de seu primeiro grande projeto, testemunha a descoberta de um cemitério clandestino no terreno que pertence a seus ancestrais. Questionando seu passado e origens, ele entra em conflito com sua consciência, herança familiar e com a memória da cidade que retorna à superfície.

– A HISTÓRIA DA ETERNIDADE (PE, 2014, 120 min), de Camilo Cavalcante: Em um pequeno vilarejo no Sertão, três histórias de amor e desejo revolucionam a paisagem afetiva de seus moradores. Personagens de um mundo romanesco, no qual suas concepções da vida estão limitadas, de um lado pelos instintos humanos, do outro por um destino cego e fatalista.

– ALIEN (Alien, EUA, 1979, 116 min), de Ridley Scott: Com o sucesso do bem iluminado e juvenil Guerra Nas Estrelas, em 1977, o ano de 1979 já estava pronto para um filme de horror espacial sombrio e aterrorizante, marcado por suspense extraordinário e um visual biológico-extraterrestre inesquecível. De fato, o organismo vivo trazido para dentro da nave Nostromo revela-se a mais medonha criação cinematográfica do bicho-papão já feita, até hoje. Em DCP.

– O MASSACRE DA SERRA ELÉTRICA (The Texas Chainsaw Massacre, EUA, 1974, 88 min), de Tobe Hooper: Um grupo de amigos numa van, no interior do Texas. Saem da estrada e param numa fazenda. Em 80 minutos, Tobe Hooper fez um museu de horrores de alta voltagem e onde a violência vem bem mais da agressivdade da montagem, do som e dos objetos (por exemplo: uma moto-serra barulhenta) de cena do que de uma violência explícita. Os últimos 20 minutos, em especial, são uma descarga e tanto de terror e energia bruta. Em DCP.

E que os santos do cinema me ajudem a suportar essas filas!