O Som ao Redor

por Luis Galvão

O Som ao Redor pode ser universal, mas também é metafórico o suficiente para não subjugar com a inteligência do espectador e não servir de enquadramento social único. Talvez por regionalismo, com pitadas de bairrismo pernambucano, se enxergar na tela através de personagens que passam longe de uma estética kitsch é profundo e constrangedor. E assim encanta e ao mesmo tempo assusta (principalmente o reconhecimento estrangeiro), envolve os sonhos, a linguagem, o sujo da elite dos canaviais com a máscara social impregnada nas atitudes contemporâneas.

Foi o momento certo, foi o estudo que faltava e a anti linha que o cinema brasileiro se mostrava para o resto do mundo. Kleber pode ser detestável, mas fez de uma vingança, que é, depois do amor, o tema mais subversivo humano, um tratado com o cinema.

O Som ao Redor (dir. Kleber Mendonça Filho) ★★★★★