A continuidade de Nichols e Hitchcock

por Luis Galvão

Sabe ‘Quem Tem Medo de Virginia Woolf’ ou ‘Festim Diabólico’? O que eles têm em comum com Carnage é muito simples, um recurso cinematográfico que pode ser adaptado (e já foi várias vezes) em seriados, em telefilmes e em minisséries. O confinamento, a tomada sem cortes aparentes, o tempo corrente, as interpretações teatrais. Tudo isso, para mim, é apenas plano de fundo para um roteiro genial, assim como os filmes de Nichols ou Hitchcock, Polanski tem um texto teatral de Yasmina Reza que simplesmente desconstrói uma classe americana burguesa sem medos e com um pouco de rodeio. No final, muitos têm dito que o roteiro não favorece, para mim, ele é a principal força. As atuações (assim como os filmes que o precederam em estrutura) também estão condizente (para mim, interpretações femininas sempre são bem trabalhadas). Para mim, já se coloca como uma das melhores escritas do ano.

Carnage ****
Dir.  Roman Polanski