Tinker, Tailor, Soldier, Spy

por Luis Galvão

Não sei o que se passava nos EUA durante a Guerra Fria, mas acredito que muito do que vemos no recente filme do mesmo diretor de Deixe Ela Entrar é verossímil. Tomas Alfredson soube, como um mestre, transmitir uma inquietação sem se aventurar por grandes cenas de ação. Soube transformar um longa que poderia ser tomado como ‘arrastado’ em um filme de claro suspense, grandes atuações (Goldman e todo resto tão sensacional quanto o melhor elenco do ano – Margin Call) e um roteiro que não tem pressa para acabar.

Esse suspense subentendido pode, a princípio, cansar um pouco o espectador habitual que e acostumou com um cinema acelerado, sem pausas para respirar. Isso pode, em partes, ter contribuído para o péssimo desempenho em premiações ano passado para um filme que merecia grandes reconhecimentos. Talvez tenha sido feito na hora errada, mas essa desculpa já é utilizada para filmes menores do que esse. O Espião que Sabia Demais foi feito na hora certo, foi feito para dar uma pausa e repensar um pouco sobre a forma de filmagem de películas de espionagem, reviravoltas e ameaças.

O Espião que Sabia Demais ****
Dir.  Tomas Alfredson