galvanismo

Mês: fevereiro, 2012

Cavalo de Guerra

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Longe de mim contestar o talento de Steven Spielberg, mas o fato é que o diretor alterna entre uma fase de mais aventura, uma mais épica e uma que não escolhe um lado para defender, ficando em um enorme limbo entre as lições de morais típicas para adultos e a simples diversão de filmar. Cavalo de Guerra é esse último e delicado caso.

Com uma história que une cavalos, guerra e lealdade (talvez um passo acima de uma amizade), Spielberg escalou bem um elenco para narrar uma história que, por si só, não teria força para atrair um público maior. No caso do teatro, um pouco diferente, o que atraia era a montagem e manipulação dos próprios animais, o que se tornou um atrativo. O que atrai, realmente, em Cavalo de Guerra é apenas o nome de peso do diretor, pois filmes de parecido teor narrativo, como o mediano Secretariat, passou despercebido por todos. Ambas histórias tem traços em comum. Indivíduo solitário até encontrar um animal. Uma relação de amizade criada em espécies diferentes. Momentos de introspecção. Momentos de separação.

Cavalo de Guerra, porém, também quer ser épico e ser uma aventura. Não sei se minha apatia por filmes com animais tenha gerado essa barreira entre o filme e o espectador (por mais que defendam que o filme não é sobre o animal, mas sobre coisas universais…). Uma trilha exagerada está alinhada a grandes cenários, boas cenas de batalhas (é Spielberg, afinal), mas senti um apelo maior, que pudesse tirar Cavalo de Guerra dos filmes medianos para se torna memorável, como muitos filmes do velho senhor hollywoodiano.

Cavalo de Guerra de Steven Spielberg **

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Bad Girl (M.I.A.)

Todos falaram do lançamento do novo clipe de Madonna, uma divertida paródia de si mesma e um pouco de cópia de Kylie Minogue e o single All the Lovers, mas quem me chamou atenção nos último dias foi o novo e arriscado clipe de M.I.A, uma das cheerleaders junto à Nicki Minaj. Bad Girls é perigoso no sentido literal. Misturando rachas, cavalos, poeira e manobras, aparentemente, impossíveis, até mesmo M.I.A entra nessa arriscada competição. A música, que versa basicamente o que todas as músicas pop tratam (‘Garotas más sabem aproveitar a vida’), na voz e letra da rapper é incrível, com uma sonoridade contagiante e um estilo que firmou a artista em diversos pódios.

Filmado em Marrocos, Bad Girls não tem o engajamento político que Born Free (o diretor é o mesmo de ambos os vídeos), mas é divertido e tem um clima  deserto bem legal. Fora a dança estranha que é a cereja de um bolo de areia.

 

Lana Del Rey lança Born to Die

O burburinho causado por Video Games foi o prelúdio para um álbum cheio das características particulares presentes naquela single feito para vender – como a própria Lana disse .

Da música que dá título ao álbum (e que tem um clipe bastante particular e bonito) à última faixa do disco, Lana se arrisca em vários ritmos. Off to the Races e National Anthem, por exemplo, têm um quê de pop music misturado a um pequeno indício de rap intrínseco. As já divulgadas Blue Jeans, Video Games e Born to Die mantém uma constante musical que, aparentemente, Lana se agrada. Uma voz meio arrastada, cansada, mas com uma sensualidade.

O resto do álbum se alterna entre canções dramáticas (quanto drama, é verdade!), voz com eco constante e histórias de amor perdido. Diferente do que se possa imaginar, Lana não vem substituir o sucesso de Adele de conforto aos corações. A voz de Lana é muito mais para atiçar a vingança, a procura constante pelo prazer e tem um efeito, eu diria, inverso à britânica do Rolling in the Deep. Elizabeth Grant (ou Lana Del Rey), finalmente, fez um álbum que, por mais discrepante que aparentemente seja, tem uma unidade legal e melodias que se completam. Isso acabou prejudicando um pouco a receptividade e o efeito que ele pretendia causa.

Se foi criado por produtores, se foi feito apenas para as massas (algo que, quando se escuta o álbum, é descartado totalmente) ou se os lábios não verdadeiros são o que mais chamam a atenção, não posso dizer que passei inerte à Born to Die. Um bom e legal pé direito de Lana, caso você não se incomode com samples, voz alterada por tecnologia e sons ecoando por 49 minutos.

Born to Die de Lana Del Rey ****