Roberta Sá (Segunda Pele, 2012)

por Luis Galvão

Roberta Sá está mais madura e segura do que nunca. Ao longo dos 40 minutos do seu novo álbum, Segunda Pele, ela passeia por diversos ritmos (de frevo de Deixa Sangrar ao reggae final de No Arrebol) com uma facilidade surpreendente. E, mais do que isso, ela consegue criar um disco conciso, único e com eventos encadeados de forma perfeita. Nada parece fora do lugar, pelo contrário, o processo criativo de evolução das músicas parece ter sido pensado desde o princípio nesse arranjo – e você pode comprovar com a casadinha Bem a Sós e o Nego e Eu, uma cadência espetacular!.

Ela ainda se dá o luxo de ter Jorge Drexler (o cara que já ganhou o Oscar por Al Otro Lado Del Rio) contando uma das faixas mais legais, Esquirias. O estilo, que antes era muito pautado pelo samba contemporâneo, está mais leve, passeando de forma segura por qualquer ritmo. Coisa que poucas cantoras se arriscam hoje em dia. E, finalmente, sua postura me faz lembrar grandes estrelas da música brasileira (Gal Costa, em uma clara semelhança de vozes, mas também Clara Nunes, Bethânia e outras grandes cantoras que se encaixam perfeitamente em qualquer ritmo).

Fiquem com o gostinho da apresentação que ela fez no Galo da Madrugada junto com Fafá de Belém cantando Deixa Sangrar. Vale a pena!