Lana Del Rey lança Born to Die

por Luis Galvão

O burburinho causado por Video Games foi o prelúdio para um álbum cheio das características particulares presentes naquela single feito para vender – como a própria Lana disse .

Da música que dá título ao álbum (e que tem um clipe bastante particular e bonito) à última faixa do disco, Lana se arrisca em vários ritmos. Off to the Races e National Anthem, por exemplo, têm um quê de pop music misturado a um pequeno indício de rap intrínseco. As já divulgadas Blue Jeans, Video Games e Born to Die mantém uma constante musical que, aparentemente, Lana se agrada. Uma voz meio arrastada, cansada, mas com uma sensualidade.

O resto do álbum se alterna entre canções dramáticas (quanto drama, é verdade!), voz com eco constante e histórias de amor perdido. Diferente do que se possa imaginar, Lana não vem substituir o sucesso de Adele de conforto aos corações. A voz de Lana é muito mais para atiçar a vingança, a procura constante pelo prazer e tem um efeito, eu diria, inverso à britânica do Rolling in the Deep. Elizabeth Grant (ou Lana Del Rey), finalmente, fez um álbum que, por mais discrepante que aparentemente seja, tem uma unidade legal e melodias que se completam. Isso acabou prejudicando um pouco a receptividade e o efeito que ele pretendia causa.

Se foi criado por produtores, se foi feito apenas para as massas (algo que, quando se escuta o álbum, é descartado totalmente) ou se os lábios não verdadeiros são o que mais chamam a atenção, não posso dizer que passei inerte à Born to Die. Um bom e legal pé direito de Lana, caso você não se incomode com samples, voz alterada por tecnologia e sons ecoando por 49 minutos.

Born to Die de Lana Del Rey ****