J. Edgar

por Luis Galvão

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Muitos andam condenando o novo filme de Clint Eastwood. Seja pela péssima caracterização (muito por causa da maquiagem pesada) de Leonardo, seja pela robustez do roteiro. Acho, porém, que o filme acaba possuindo muitas qualidades por não ter lados bem definidos (o lado aparentemente ‘certo’ sempre tem um quê de desconfiança e astúcia) e por recontar uma história tão vista sob um prima que pela primeira vez me passou a grandiosidade dos fatos.

Muita calma, porém, quando você analisar essas qualidades. Não vá esperando um tratado social sobre um homem com diversos problemas para resolver (desde sua homossexualidade até o fato de ‘apenas’ criar o FBI) que pode servir de exemplo para todos. Espere um filme narrativo, sem camadas profundas de análises. São fatos grandiosos, históricos e fáceis de compreender por qualquer um que completam e vão agregando, aos poucos, a personalidade do J. Edgar.

Lapidando o filme, podemos citar toda produção cênica muito bem estruturada e a fotografia interessante (mas não tão empolgante). A grande falha e o alvo de tantas críticas, foram realmente a escolhas seguidas. Essa trama sobre a construção do ícone, que poderia aprofundar em alguns elementos, não tem o apelo pela forma que foi tratada. O público que esperava ver Leonardo se despindo da sua aparência, pode esqueçer, ele não se parece nem um pouco com o estranho Hoover e tem um trabalho de maquiagem péssimo. A relação homossexual (com um ótimo Armie Hammer), às vezes, é um único arco dramático que realmente perpassa por toda trama, colocando o Hoover em uma situação desconfortável, mas, daí surge o verdadeiro mito histórico, que reunia diversas facetas, em apenas fronte. Muitos não notaram isso.

J. Edgar de Clint Eastwood ***