Para não dizer que não falei do Oscar

por Luis Galvão

imageJá fui muito mais ligado em premiações. Acompanhava tendências, prévias, sugestões dos crítico, falsas esperanças em filmes menores e performances mais intimistas. De um tempo para cá, porém, gosto de ser surpreendido. Minha torcida agora é direcionada para outros fatores, meus palpites pouco retratam a realidade e quando eu vejo uma lista como a de 2012, eu, curiosamente, sinto certa apatia, mas sempre com uma ponta de entusiasmo.

A Academia indicou preguiçosamente Cavalo de Guerra em várias categorias, certo? Não se surpreendeu com o poder de Tilda em Precisamos Falar Sobre Kevin e a vibe de Moneyball foi apenas suficiente para seus atores, assim como para Histórias Cruzadas. Scorsese, para surpresa de todos que não estão acostumados a verem grandes filmes com quantidade razoável de indicações, foi bem lembrado, mas, na realidade, acaba com poucas chances. Fincher e até mesmo Tintim foram escanteados. A ‘volta’ de Woody Allen. E qual foi a de Melissa indicada? E onde foi parar Drive nisso tudo? E eu achando que o ano ia ser de Gosling ou Fassbender.

Coisas boas? Margin Call sendo indicado em Roteiro. A Árvore da Vida, o mais belo filme, voltando com garra para prêmios. Payne reconhecido. Gary Oldman, sempre magnífico e introspectivo. Um grande talvez para o primeiro Oscar brasileiro (em uma categoria que dificilmente voltará próximo ano). Harry com três indicações técnicas, Pina (para mim o melhor filme do ano passado) em documentário, o mexicano tirando a vaga de Gosling ou Fassbender.

O que deve, realmente, agregar valor para nós, simples espectadores, é a festa, os artistas em trajes sociais, as performances, os micos e os discursos da premiação. Porque, indicação por indicação, eu já parei de tentar entender anos atrás.