Estrada Para Ythaca

por Luis Galvão

imageExistem alguns bons road movies brasileiros. Do clássico Central do Brasil à cômica junção de esquetes com Muita Calma Nessa Hora. Muitos são desprezíveis, mas alguns se destacam pelo claro esforço em não apenas mostrar uma jornada pessoal (ou de um grupo), mas acrescentar algo em relação à construção dos personagens – tanto os que passam quanto os que ficam. Estrada para Ythaca é um claro exemplo de como as coisas, muitas vezes fora do padrão, funcionam quando feitos por várias talentosas mãos.

Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Guto Parente e Pedro Diógenes se juntaram em família para mostrar um filme biográfico e metalingüístico sobre a amizade. Tudo começa em uma rodada de bar, onde as coisas acontecem se que você note, e eles decidem partir para Ythaca. A partida e o caminho são feitos de pequenos pedaços de referências cinéfilas e culturais que precisam ser digeridas anteriormente para não atormentar e fazer com que o espectador não entenda as características do filme.

Os quatro compartilham e – muito maior que o próprio filme – mudam. Tentam, em vão, transceder as paredes do cinema robusto para mostrar uma história crua, sem fios que ligam facilmente os acontecimentos e que, no final das contas, mostram que eles conhecem de cinema, compartilham uma mesma paixão e se utilizou de todos os artifícios nos bastidores, para transformar Estrada Para Ythaca um filme quase perdido, que será descoberto no futuro.

Estrada para Ythaca de Luiz Pretti, Ricardo Pretti, Guto Parente e Pedro Diógenes