Burlesque

por Luis Galvão

Filmes como esse não deveriam ser comentados. Mas minha curiosidade por musicais supera os avisos que me foram dado e eu fui aberto à mudanças assistir Burlesque. Ledo engano. O que eu esperava era apenas um mínimo de respeito aos grandes musicais que realmente se passavam em casas noturnas com personages femininas que cantam (e não apenas gritam) e uma história, pelo menos, atraente. Burlesque simplesmente não oferece nada disso. Falta ritmo, faltam músicas boas, falta um apreço maior àqueles filmes que ele tenta – em vão – fazer referências. Cabaret é a principal delas, mas não exclui toda filmografia de Rob Marshall (sim, eu continuo gostando muito de seus filmes, inclusive Nine), Kenny Ortega e qualquer outro diretor contemporâneo que já se arriscou no gênero.

O que falar, então, das interpretações? Não conheço a história de Cher, mas sei que aquela boca simplesmente não é dela! Prejudica a dicção e a própria estética do filme (que já não é lá essas coisas). Também não sei se o voz dela sempre foi esse tom grosso, mas até mesmo a música ganhadora do Globo de Ouro é um desafio para entender. Christina Aguilera queria, no mínimo, ter um filme em sua vida. Se arriscou, cometeu as gafes de sempre, a falta de técnica na dança e se armou apenas com a voz para tentar impressionar. De fato, as músicas cantadas por ela são melhores do que as de Cher, mas ainda em um nível muito abaixo do esperado.

Se você pensar, ainda, no desperdício de dois atores envolvidos e os únicos sobreviventes desse naufrágio chamado Burlesque – Stanley Tucci e Alan Cumming – é desprezível. Como um ator do nível de Alan, que já interpretou memoravelmente Emcee em um revival de Cabaret, tem apenas espaço para uma brincadeira de mal gosto no palco? Até a simpática Kristen Bell (que depois de Veronica Mars, nunca escolheu bem os filmes em que participa), Peter Gallagher e Eric Dane estão péssimos. E depois que descobrir que o roteiro tem a mão de Diablo Cody, estou achando que Juno foi apenas um tiro no escuro que deu certo (Jennifer’s Body e Burlesque estão aí para comprovar isso). Quando Spilberg escolheu Steve Antin para fazer o cara chato Troy de The Gonnies, ele não imaginaria que o irmão da fundadora das Pussycat Doll (Robin Antin) no futuro tentaria fazer um musical e acabaria dando um tiro no pé não só dele, mas de todos os envolvidos.

Burlesque de Steve Robin