Martha Marcy May Marlene

por Luis Galvão

Filmes independentes tendem a terem uma estrutura narrativa padrão. Primeiro, os cortes e flashbacks que misturam histórias de hoje com fantasmas do passado. Em segunda lugar, sempre tem aquela edição de som natural, com os batidos dos talheres ecoando e os sussuros nos momentos certos. E por último, aquele elenco que é uma mistura de aparente descompromisso e algumas explosões faciais. Martha Marcy May Marlene tem tudo isso e faz um bom uso desses elementos tão reduntandes.

Temos no centro da história, uma excelente e madura interpretação de Elizabeth Olsen como a tal Martha que passou um período da vida participando de uma espécie de ‘retiro hippie’ liderado pelo transgressor Jonh Hawkes. Ela foge de lá e vai para a casa da irmã e do cunhado (Sarah Paulson – a vidente de American Horro Story – e Hugh Dancy).

A trama em si é mais voltada para a relação familiar entre a Olsen e sua irmã Paulson. Enquanto a casada quer engravidar, Martha tem problemas em se adaptar à nova vida junto à irmã. E, em paralelo a isso, tem flashes de toda manifestação do ‘retiro’, com grandes cenas – Olsen sendo abuada sexualmente por Hawkes, as lições de tiro na floresta e o sexo descompromisado entre todos os integrantes.  No final das contas, o filme apenas passeia por todos esses momentos, nunca se mostrando defensor ou detrator dos costumes dos universos mostrados, se tornando, assim, um pouco apático a tudo que se propôs mostrar. De tudo, ficamos com a interpretação de Elizabeth Olsen, um pequeno achado comumente visto em filmes independentes como este.

Martha Marcy May Marlene de Sean Durkin