Margin Call

por Luis Galvão

Sempre admirei a coragem dos filmes que falam sobre o caos da economia norte americana. Uma coragem que não vemos, por exemplo, aqui no outro hemisfério. Margin Call, nesse meio de tantas boas produções (recentemente assistir um da HBO Muito Grande Para Quebrar muito bom), Margin Call é um dos poucos que, além de unir uma trama essencialmente administrativa por trás das vendas de um grande banco às vésperas do caos, tem personagens estudados profundamente.

Junto ao time de estrelas (Kevin Spacey, Paul Bettany, Jeremy Irons, Zachary Quinto, Penn Badgley, Simon Baker, Demi Moore e Stanley Tucci, ufa!) temos a história de cada um tradada como se fosse essencial para o futuro do banco que trabalham. No topo do organograma, temos um líder capaz de tudo para não perder. Mais abaixo, Simon e Demi lutando para sobreviver na empresa através de influências. Mais abaixo, Kevin e uma eterna dúvida sobre a ética empresarial. Por último, e não menos importante, Zachary e Penn, dois estagiários que descobrem uma bomba prestes a explodir.

Com tanta tramas, o trabalho do roteiro por manter todas alinhadas deve ser aplaudida. E todas se encaixam. Todas fazem sentido. Margin Call ainda se dá o direito de fazer cenas com profundidades cômicas (a do elevador é um achado da ironia cinéfila!). Ou seja, quando um diretor desconhecido sabe onde está colocando as mãos do jeito que J. C. Chandor sabia, o filme pode se tornar uma das mais agradáveis e boas surpresas do ano, assim como Margin Call.

Margin Call de J. C. Chandor