Precisamos Falar Sobre Kevin

por Luis Galvão

Os vinte primeiros minutos são incompreensíveis, com saltos temporais que não são explicados e dificultando bastante o primeiro contato com a personagem de Tilda Swinton. São recortes longo de sua vida, momentos que não sabemos ao certo se é antes, durante ou depois do fato que a trama gira (mais um massacre na escola). E no meio de toda essa confusão, apenas a interpretação de Tilda surpreende. Essa falta de ligação entre cenas e linearidade, torna o filme cansativo até que você se acostume, mas depois é uma ladeira.

A interpretação de Tilda Swinton é sensível e vista em detalhes, como o fato dela não tocar em Kevin enquanto criança, nas declarações que faz para o filho ou nos momentos em que está banhada de tinta vermelha (o vermelho é bem presente durante toda trama). Depois que você se acostuma com a montagem e a infância de Kevin é retratada, criamos uma clara antipatia pela criança e nos apegamos ao drama de uma mãe cuidando de um menino que desde cedo apresenta claramente transtornos psicológicos. A interpretação de Ezra Miller e Jasper Newell (o Kevin criança e adolescente) nesse caso, é essencial para isso.

Alguns paradoxos, como a contagiante trilha sonora indo pelo lado oposto ao drama ou alguns contrastes familiares (principalmente a outra filha e o marido loser interpretado por John C. Reilly sempre no mesmo papel), apenas ajudam a levantar o questionamento final do filme. Qual a influência de uma mãe no comportamento de seus filhos?  E o quanto ela tem que se esforçar para tal? Precisamos Falar Sobre Kevin levanta tudo isso, não responde nada, mas deixa a sensação incômoda no final das contas.

Precisamos Falar Sobre Kevin de Lynne Ramsay