Com vocês…Karina Buhr

por Luis Galvão

Em meio a tantos internacionais e brasileiros folks, 2011 escondeu, no seu íntimo, uma pérola deixada para ser apreciada no final. O segundo álbum da pernambucana Karina Buhr (Longe de Onde) foi lançado em outubro do ano passado, mas só chegou aos meus ouvidos na última semana. E de lá não saiu.

Desde seu último lançamento (Eu Menti Pra Você, no começo de 2010), Karina se apresentou – se eu me lembro bem – umas duas ou três vezes em que estive presente. O primeiro impacto é profundo, o segundo é extasiante. Com sotaque carregado, Karina passeia e bebe de tantas fontes, que acaba criando uma só dela. Cada faixa é uma caixinha de surpresas. Mudanças bruscas de melodia, poesia e motivação. Todas executadas de forma fenomenal (solos de guitarra parecem não serem planejados). A voz de Karina apenas sai, como se nada importasse (e músicas como Não me ame tanto e o reggae imaculado de Cadáver mostram que não devemos, de fato, levá-la a sério).

Tem muito Pernambuco aqui. Tem uma guitarra pesada que lembra um China em seu melhor momento, tem letras no melhor estilo Cordel do Fogo e bons tempos de Lirinha (que lançou um novo álbum e merece uma crítica aqui mais tarde e Sem fazer ideia é a cara limpa e crua do poeta), tem Eddie, tem Mundo Livre (Guitarristas de Copacabana). Tem também aquele ar brega romântico em Pra ser romântica e suas rimas fáceis.

Ela não faz questão nem de dividir os focos do disco. Todas as músicas parecem ao mesmo tempo soltas no espaço, esperando serem tocadas sem pressa nem cartilha de explicação. Apenas a música em seu estado mais simples e fácil ao mesmo tempo contagiante. Em um dos últimos suspiros ela lança um ‘E eu te peço que se aproxime de mim um pouco, mas não tanto. A ponto de eu sentir sua falta quando você for embora’. É o que sentimos quando os quarenta exatos minutos acabam e a saudade de ouvir o disco novamente já é grande.