A Chave de Sarah

por Luis Galvão

Por muito tempo não assistir filmes sobre a II Guerra. Nada me atraia no massacre dos judeus a não ser um desprezo por tudo aquilo e faz certo tempo que o cinema está em falta com um dos temas mais batidos desde a liberdade de sua exposição. A Chave de Sarah vai de encontro a todos meus preconceitos com filmes de tal temática. Primeiro, foge do datismo típico de filmes assim. Segundo, constrói uma série de histórias paralelas interessantes. Terceiro, intercala (de maneira semelhante à As Horas e Julie & Julia, por exemplo) o drama de uma mulher em 2009 –  Kristin Scott Thomas – e o drama de uma menina em 1942, na França.

Sinceramente, não sabia que em meados dos anos 40, a França perseguiu alguns judeus e os trancafiaram em condições insalubres em um ‘estádio’, de lá, muitos eram mandados para os campos para trabalhar. A Chave de Sarah se situa basicamente nessa época e trata da história de uma menina (a sensacional Mélusine Mayance) que após ver sua casa invadida por policiais, prende  irmão menor no armário para tentar salvá-lo. Só não sabe que sua ‘captura’ ia durar tanto tempo e ela tenta o resto da trama, tirar o tal menino do armário com a sua chave.

Enquanto isso, Kristin Scott Thomas é uma jornalista que decide fazer uma matéria sobre a tal época da França e começa a colher depoimentos de sobreviventes e, coincidentemente, está se mudando para a tal casa com o armário que o menino ficou preso. Coincidências demais, é claro, mas passado com muita verossimilhança.

Entre tantas qualidades, o filme tenta tirar um pouco do melodrama e consegue de forma singela, seja com uma bela e tocante cena em um banho de mar ou um passeio de Kristin entre o museu que guarda lembrança dos judeus mortos. Quando o foco se parte para outra jornada (no terceiro ato do filme), as coisas se tornam um pouco mais morosas, mas não menos interessante, fazendo com que A Chave de Sarah se torne um dos mais corretos filmes franceses lançados no ano.

A Chave de Sarah de Gilles Paquet-Brenner