Drive

por Luis Galvão

A sequência inicial de Drive é uma explosão de maturidade cinematográfica pouco vista. Em vez de fazer uma perseguição cheia de carros policiais atrás do tal motorista – contratado para auxiliar em uma fuga de um assalto – Drive opta pela inteligência à agilidade e técnica. Isso é a metonímia de todo o resto do filme que está causa burburinho com a temporada de premiações chegando.

O resto do pequeno longa é o desenrolar de uma trama que inicialmente só envolve o motorista (que também é dublê de filmes) e Irene (Carey Mulligan), sua vizinha. Porém, como tudo em um bom filme é ligado, eis que surge o marido presidiário de Irene, um núcleo de máfia dentro de uma pizzaria e um investidor de corridas. No centro disso tudo, nosso herói que remodela a figura icônica traçada pelos mais antigos filmes norte americanos.

Solitário, introspectivo e justo, Ryan Gosling se dá bem nas caras de paisagem e nos detalhes da construção do personagem sem nome. Ele tem como auxílio um diretor que faz uso de iluminação quase teatral em algumas boas cenas (a do elevador é a melhor de todo filme) e que preza pelo clima de tensão em todo longa.

Porém, a partir do último ato, começam algumas perseguições clichês, um uso excessivo de câmera lenta e nem a boa trilha salva esses momentos. Personagens são jogados (Hendricks só aparece com um único motivo) e o final planejado não ajuda em perpetuar o personagem, que, no final das contas, externaliza muito pouco, dificultando a empatia do espectador que termina o filme sem saber ao certo quais os posicionamentos do motorista e sem a verdadeira imagem de herói construído.

Drive de Nicolas Winding Refn

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