A Outra Terra

por Luis Galvão

Como fã de ficção científica, qualquer roteiro (por mais extremo que ele seja) sempre me desperta o interesse. Essa foi minha motivação para assistir Another Earth. Minha surpresa foi que aquilo que torna o filme bom – o roteiro da ‘Terra Espelhada’ é bem original e desencadeia outros dramas – também é o que ñão é bem desenvolvido. Deixa eu explicar.

No caso principal, temos uma ótima e desperdiçada Brit Marling vivendo uma mulher que ocasionou um acidente de carro com várias vítimas e decide fazer a primeira viagem para a Terra 2 para tentar começar uma nova vida por lá. Até aí, sem grandes novidades (todos, no final das contas, tentam se afastar do passado), mas também como isso não é novidade, todos podemos saber que o passado, por mais distante que ele esteja, sempre ressona no presente.

Aí o lado ficção científica fica de lado para questões mais universais sobre a possibilidade de segundas chances, arrependimentos e novos ideais. Essa escolha fica bem clara no filme, o que é bom para a condução da câmera (muitos closes são exagerados, porém) e no roteiro que simplesmente vomita muitas coisas. Esse foi o primeiro filme que o Mike Cahill dirigiu, escreveu, produziu e editou, ou seja, muito provavelmente esperava um trabalho muito melhor e mais autoral do mesmo edito de Everyone Stares (o rockdocumentário do The Police, muito bom), o que de fato, não aconteceu.

A Outra Terra de Mike Cahill