Febre de Rato

por Luis Galvão

Irandhir Santos, em uma cena de 'Febre do Rato', filme que venceu o Festival de Cinema de Paulínia

Grande vencedor do Festival de Paulínia desse ano (foram nada menos de oito prêmios), o filme do inconformado Cláudio Assis – Amarelo Manga e Baixio das Bestas – passeia por ruas e paisagens conhecidas do Recife para tecer uma história do próprio inconformismo do diretor perante a uma cidade à beira de um caos urbano de marginalização e barulho. Irandhir Santos dá voz a essa massa rebelde que tenta, sem muito apreço, mostrar barbáries e banalidades desse amontoado de problemas que não são discutidos.

Walter Carvalho se torna o charme final do filme que não tem medo de arriscar na ambiguidade da filmagem (ora complexa com altos rasantes ora estática como o próprio roteiro). O resto do elenco que inclui um Nachtergaele coveiro, Tânia Moreno e Maria Gladys se destacando.

Não sei se foi a própria nostalgia de assistir o Recife como cenário de uma questão tão universal e complexa ou o próprio roteiro que foge dos padrões e levanta questões de liberdade da forma mais poética que seria possível.  Com passagens memoráveis (o desfile de 7 de Setembro é uma das cenas do ano), Febre do Rato se torna uma surpresa que mistura manguebeat, falas cruas e uma cidade à beira de um caos.

Febre do Rato de Cláudio Assis