revolução em dagenham

por Luis Galvão

As lutas das mulheres para nivelamento salarial nos anos 60 foram fortes e constantes, uma caso em particular na Ford da Inglaterra gerou burburinho em outros continentes e se tornou um dos principais movimentos para a emancipação da mulher no mercado de trabalho. Essa ‘revolução’ foi conduzida por Rita O’Grady, uma mãe de família e empregada da sessão de costura de bancos da fábrica de Dagenham. Com algum incentivo, todas as mulheres do departamento se mobilizam e entram em greve, para desespero de toda a prole trabalhista-masculina.

Aqui, não apenas a figura de Rita é presente e forte, mas de todos os outros envolvidos no movimento, como a colega de trabalho Connie (Geraldine James), um antigo funcionário Albert (o papel de Bob Hoskins), Lisa Hopkins (Rosamund Pike em mais um papel de época) e um pouco adiante a Ministra do Emprego Barbara Castle (interpretada com destaque por Miranda Richardson). Todos desempenham com virtudes suas ânsias por melhorias. Mas não tem para niguém, Sally Hawkin rouba as cenas e conduz com maestria premiada o filme de Nigel Cole. É dela todo o mérito de alavancar um filme que não inova na perspectiva cinematográfica, mas é conduzido com o padrão inglês de fazer cinema.

Por mais que seja um Norma Rae britânico, é defendido por todos os envolvidos de forma espetacular. Tem um lado feminista que assusta um pouco no princípio, mas é uma metonímia para a verdadeira batalha pelos direitos, seja ele defendido por mulheres com cartazes ou qualquer outro grupo marginalizado pela sociedade.

Made in Dagenham de Nigel Cole