harry potter

por Luis Galvão

Desde a primeira cena de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 ficou claro que eu não iria aprovar cem por cento a última grande aventura do bruxo. Muitos fatores contribuíram para isso. O primeiro deles foi a expectativa, alta demais. A segunda foi a importância de toda saga na construção da minha criticidade tanto literária quanto cinematográfica. Quando li Harry Potter pela primeira vez, conheci um mundo acessível para crianças e jovens e que sempre aspirou caminhos maiores.

Com o passar dos anos, a saga por si só não me motivava mais. Mais a autora sabia contornar as situações repetitivas e tornar cada livro único e que funciona perfeitamente isolado. Algo parecido com os filmes da série (os primeiros com clara evidência funcionam bem sem  ganchos finais). E toda a independência de cada ano foi se tornando o grande trunfo da saga.

Nos últimos quatro anos, porém, o diferencial foi rompido nas telas. Os filmes faziam questão de não terem um final definido e criou-se um macrociclo nos últimos filmes. Aconteceu mais ou menos assim: os quatro primeiros filmes funcionam bem sozinhos, os quatro últimos formam uma grande e única saga, tendo seu ápice cinematográfico em Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1. E dou os motivos para tal conclusão.

A grande jornada de Harry poderia culminar com um suicídio que extinguiria de vez o último pedaço da alma de Voldemort que estava no próprio bruxo. Poderia, ainda, estar relacionada com a queda de Hogwarts (o grande símbolo da série, em minha opinião). Ou, ainda, com o trágico fim do vilão de formas diversas.

Porém, os livros e os filmes tinham o charme a mais dedicado aos coadjuvantes. Sim, além dos claros Ron e Hermione, todos os professores, passando pelos pais, estudantes, Ordem e Armada e até mesmo aqueles que só eram citados. O livro era movido não apenas pela jornada da salvação, mas por todos os eventos que sempre culminavam na trajetória de Potter. E a primeira parte do último livro captou a essência disso tudo.

O último, o foco foi claro. As peças já estavam dispostas no tabuleiro e só faltava mover as peças para o embate tão esperado começar. Parece que todos foram preparados desde o início para tal guerra. Bem e Mal em Hogwarts. O que definiria todo o futuro da saga em uma grande batalha de feitiços. E foi legal. Bem montada, bons personagens envolvidos (não tenho como não citar três que foram essenciais para a guerra: Neville, McGonagall e Luna).

Assim, por mais que seja prezado pela aventura, batalha e feitiços. Para mim, Harry Potter nunca foi a grande chave do sucesso e sim os que o redeavam. E foi o que faltou nesse Reíquias da Morte – Parte 2. E só isso, porque a trilha, a fotografia, as performances, a direção e a montagem continuam premiáveis.

No final, foi importante perceber que vou sentir falta do universo, não do bruxo.