Cine PE 2011

por Luis Galvão

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Cinco dias movimentados e chuvosos inundaram Recife de cinema. Por mais que o Centro de Convenções de Pernambuco tenha sido um local agradável para a exibição das 34 produções (mais locais que nacionais), foi impossível prever que uma temporada de chuvas torrenciais afastasse (um pouco) os espectadores do Festival. Foram seis dias movimentados desde 31 de Abril até a última sexta-feira (dia 6 de Maio), reuniu grandes produções ainda inéditas, algumas surpresas (como a interrupção de um longa decorrente de falhas técnicas) e muita confraternização entre todos os envolvidos. Não teve chuva que tirasse o brilho dos 15 Anos do Cine PE!

Foram 16 curtas 35mm e destaco a produção recifense que levantou a platéia para aplaudir no final, até os créditos, o ‘Calma Monga, Calma!’ um curta meio noir-cômico nas ruas da capital. 12 foram os curtas digitais, Vou Estraçaiá – exibido na noite de estréia, foi realmente gloriosamente aplaudido. 6 longas sem nenhum grande destaque além do grande vencedor da noite (Estamos Todos Juntos).

Nem tudo são flores. Muitas produções aquém do previsto, que não surpreenderam ou apresentaram boas técnicas também apareceram aos bocados e uma participação do Júri Popular (que esse ano fui convidado a integrar) que elegeu filmes de fácil acesso (como Braxília ou JMB, O Famigerado). Do Júri Oficial é notável um apreço pela técnica e o vencedor de 35mm foi um curta muito muito bom (Janela Molhada).

Teve lugar para grandes produtoras (O2 e Panda) e ganharam alguns prêmios – de certo mais pela produção em si do que pela criatividade narrativa. Ainda coroaram A Fábula da Três Avós (um simpático curta digital muito bem escrito e dirigido por Turini). Não entendi bem a quantidade de prêmios que Família Vende Tudo levou (incluindo um estranho Caco Ciocler, Direção de Arte e Trilha (oi?!). Marisol Ribeiro e Leandra Leal dividiram, com méritos, o prêmio de atriz.

E não teria como o Prêmio Gilberto Freyre ser dado a outro. Vamos Fazer Um Brinde evocou características brasileiras como poucas recentes produções e arrancou aplausos com um elenco presente durante toda a cerimônia. Ainda teve lugar para um protesto durante a entrega que clamou por menos política envolvida e mais cinema (algo que, pessoalmente, achei desnecessário, já que avalio todo o Festival com um saldo positivo tanto na organização como na exibição das produções.

E que o próximo ano venha com muito mais surpresas e a mesma participação efetiva do público pernambucano, que se mostrou participativo e colaborador durante todo o Cine PE 2011.