cinepe – 1

por Luis Galvão

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Nicolas Behr é um escritor contemporâneo que não nega seu título de ‘poeta brasiliense’. E, assim como a cidade-planejada, sua poesia parece uma grande massificação de concreto em blocos. O curta documenta exatamente essa face do artista a partir de lugares em que ele se inspira. A diretora, quando encontrou um recurso para os versos de Behr, parece gostar tanto que acabou repetindo essa mesma tomada várias vezes, tirando um pouco sua qualidade inventiva.

Braxília de Danyella Proença

 

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Uma mulher cega e um homem surdo. Como pode existir comunicação entre duas pessoas e como, mesmo assim, pode acabar nascendo o amor? Pablo utilizou tomadas diferentes para retratar isso e conseguiu êxito. Mas não deve atingir igualmente todas as pessoas, terminando como uma ingócnita na competição.

Café Aurora de Pablo Polo

 

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Diferentes culturas sempre, a primeira vista, causam certo olhar exótico do espectador. Cachoeira se propõe a descrever atos de uma distante tribo que parece envolver rituais suicidas entre os jovens bêbados. Nem isso não é explicado, nem o curta cumpre a missão de surpreender com costumes incomuns.

Cachoeira de Sérgio José Andrade

 

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Uma mistura dos traços de Ari Folman com uma melancolia autodestrutiva de Chomet. Estabelece metáforas sociais (muitas incompreensíveis) e versa sobre solidão e esse sentimento de perda do universo. O curta é uma jóia cheia de pequenas colocações cômicas e termina de forma muito interessante. Um cachorro nunca foi tão emotivamente exagerado.

Céu, Inferno e Outras Partes do Corpo de Rodrigo John

 

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A prática comum em comunidades pobres de deixar as filhas em casa sozinhas para trabalhar, já é um tanto quanto batida no cinema. Aqui foi seguida uma linha básica, sem nenhuma inovação no roteiro. Mas foi bem realizado. Tem as cenas de queimaduras no fogão, a irmã mais velha preocupada com a mais nova e aplicando castigo, a mais nova sumindo e um final midiático.

Tempo de Criança de Wagner Novais