a última estação

por Luis Galvão

image

Leo Tolstói é, sem pensar muito, meu escritor favorito. Ana Karenina é meu livro de consultas nos momentos de reflexão. Seus contos e suas palavras me fazem viajar. Um filme no qual sua conturbada relação com sua mulher, Sofya, nos últimos anos de sua vida [quando ocorre quase uma ruptura com crenças de uma vida inteira], me dava água na boca.

Hoffman, o diretor, poderia embarcar profundamente na psique de todos os personagens, suas motivações para os atos tomados, a influência do ambiente nas tomadas de decisões. É claro que o elenco poderia muito bem dar forma a esses sentimentos – Plummer, Mirren e Giamatti formam um trio perfeito.

Outro fator que esperava, era a Rússia. Tão misteriosa e palco de poucas figurações narrativas, o Império do Gelo poderia ser a grande metáfora da vida de Tolstói [se livrar de todos os bens materiais e abdicar dos direitos de suas obras]. Mas Hoffman fez de The Last Station um filme britânico. Todo inglês.

Se minhas expectativas foram quebradas, derrubadas e esmagadas por um diretor que prezou pela narrativa básica e clássica. Mais triste ainda é constatar que a vida de Tolstói é muito complexa na visão de um fã, porém muito simples na versão dos diretores. [2/5]