luzes na escuridão

por Luis Galvão

imageQuatro anos de atraso para chegar em uma sala de cinema brasileiro, o filme do finlandês Aki Kaurismäki é aquele filme com longos planos, poucos diálogos e uma trama que vinte minutos bastariam para se resolver. Mas o diretor se utiliza de toda profundidade do trabalho do ator Janne Hyytiäinen para desenvolver seu filme sobre a ruína de um personagem autodestrutivo.

Hyytiäinen começa sendo humilhado, atravessa um período de agitação na vida (decorrente da involuntária participação no furto da joalheria que trabalha com vigia) e, mesmo após o caso, não se despe de suas características submissas, sendo um personagem, a princípio, unilateral. Entre um ato e outro é possível identificar essa escolha do Aki como uma saída para trabalhar outros aspectos, como sua (não)relação com mulheres, sua (não)interação com  o mundo e sua (não)manifestação com a situação em que vive. Uma boa análise, diga-se de passagem, mas que não tem o impacto necessário para entreter.

Assim, não é fácil de tragar. Passa mais tempo discutindo o supérfluo em detrimento do importante. Se for analisar mais afundo, porém, o que realmente importa para o personagem principal não é o que lhe move, mas o que lhe deixa parado em seu mundo. Kaurismäki é um diretor amargo. [3/5] MUBI