III Janela Internarcional de Cinema do Recife (part. I) – Curtas Nacionais

por Luis Galvão

Um curta perfeito. Sabe dosar a história, mesclar tendências (realiza um mosaico criativo sobre os primeiros filmes produzidos em Pernambuco pela família Falangola) e explica – quase que didaticamente – os processos de recuperação desses achados. Depoimentos de técnicos e de anônimos que estiveram em contato com um resquício vivo da história do cinema brasileiro. Dividido em quatro partes bem definidas, é possivel que este seja um exemplo completo de um curta-documentário-biográfico. (JANELA MOLHADA, de Marcos Henrique Lopes / PE, 2010, 22’, cor, 35mm) |||||

Câmera parada nunca foi meu estilo. Porém, quando se tem como única imagem um posto de gasolina em uma avenida escura, é incrível como as coisas mudam. Um diálogo por trás de duas pessoas verossímeis que conversam sobre o nada e um deles espera uma pessoa especial passar pela rua. Algo que me lembrou Beckett e seu ‘Esperando Godot’, só que contemporâneo e sem a profundeza do francês. O final é satisfatório. (FANTASMAS, de André Novais Oliveira / MG, 2009, 11’, cor, digital) |||

Pegar vários curtas caseiros e transformá-los em um filme quase linear é uma difícil tarefa que foi cumprida sem rodeios pelo diretor. Não apresenta nada muito espetacular em termos artísticos, mas merece aplausos pelo árduo trabalho realizado e sua visão sensível sobre videos aparentemente aleatórios. (SUPERMEMÓRIAS, de Danilo Carvalho / CE, 2010, 20’, cor, 35mm) |||

Fazer filmes só com fotos é complicado. Não que a estaticidade seja um problema (no curta FANTASMAS, só existe um cenário), mas a película como um todo perde o dinamismo típico de curtas. Aqui são apresentadas várias fotos de viagens, com transições simplistas e narrados pelos seus respectivos viajantes (um polonês, uma francesa, um alemão) em vários lugares do mundo. Não alcança, porém, o objetivo pouco definido. (AEROPORTO, de Marcelo Pedroso / PE, 2010, 20’, cor, digital) ||