Federal | 2010

por Luis Galvão

image

Não sou de dizer isso e muito menos de combater ferozmente um filme, mas é impossível assistir Federal, novo filme brasileiro com cheiro de produção gringa. Sabe quando Tropa de Elite foi lançado, lá em 2007, denunciando a sujeira por trás das facções? Federal aparentemente se propõe a isso. Digo se propõe porque em uma hora de exibição é impossível distinguir realmente qual a história principal do filme (se é que existe uma). Tudo parece um emaranhado de frases feitas e sem impacto, junto com uns palavrões forçados pelo roteiro e cenas avulsas costuradas como se fosse um viral da internet. Tudo isso não bastaria a destruição total da visão brasileira se não tivesse sexo. Sim, entre três cenas de diálogo existem duas de sexo (e uma realmente explícita).

Não pára por aí. Mesmo contando com Selton Mello no elenco (que é coadjuvante sem uso), todo o resto é formado por pessoas que simplesmente não estão entrosados com o papel. Cada bordão é usado como se fosse decorado ao pé da letra e interpretado por crianças em peça de teatro. Sem expressão nenhuma. Sem qualidade. Sem emoção. E as cenas de ação que ele se propunha? Bem, outra enorme falha. Se o Brasil já mostrou que sabe fazer cenas de torturas – sacos na cabeça são nossa especialidade – Federal peca novamente. Todas as cenas de ação são inverossímeis, falsas e até engraçadas. Cenários clichês, paisagens de uma Brasília bonita demais, tomadas internas ridículas e mortes dignas de uma produção B fraca. E a cena do hospital é algo risível.

Não sei se fomos desacostumados com más produções brasileiras de polícias ou se Erik de Castro estava mais perdido que cego em tiroteio. Só sei que com menos de uma hora de exibição, metade da platéia já tinha saído da sala de cinema e o fim da película é algo que não me atiça a curiosidade em nenhum momento até agora. Poderia falar que as cenas nuas de Carolina Gómez me agradaram um pouco, mas não é verdade. Não entendia uma palavra que ela dizia e não entendi sua importância no roteiro. Se é que existia uma história para aqueles personagens rasos, fúteis, corruptos (como sempre) e mal interpretados. Um traço pelo pôster e por nada mais.

(Federal) |