Tropa de Elite 2 | 2010

por Luis Galvão

Wagner Moura, Emilio Orcciolo Neto

Tropa de Elite 2 tem o benefício de ser uma continuação que levanta questões ainda mais sociais e enraizada na contemporaneidade. Toda a utilização de silogismos para se chegar ao culpado das complicadas falhas no sistema são bem boladas e o encaminhamento de cada personagem é feito com bastante cuidado para não transformar o filme em uma sequência de clichês. O policial corrupto não é o único inimigo, nem o político esquerdista é o defensor dos direitos humanos nato. As raízes dos problemas são as próprias pessoas. Da maravilhosa cena inicial de Bangu I (e Seu Jorge dando um pouco do seu talento nato), o que deveria ser a queda de Nascimento é – na verdade – a chance de organizar o macrosistema e não apenas o BOPE. Toda aquela politicagem explícita e corrupção mais que clara torna o filme em um incrível estudo das possibilidades. As constantes alternativas que poderiam surgir mas são descartadas ditam o roteiro ágil e mais inteligente do que o primeiro filme.

E tudo isso não teria a profundidade sem o Wagner Moura. A verdadeira alma do filme, mesmo cercados de bons atores como o Irandhir. Capitão Nascimento impõe respeito e não deixa de ser um ser humano normal, com problemas com o filho rebelde e a ex-mulher agora casada com um defensor dos direitos humanos. Wagner eleva o nível da película sem precisar se apoiar no roteiro. Ele mesmo cria o Nascimento. Assim como todos os aspectos isoladamente contribuem para a criação da Tropa de Elite.

(Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro) ||||