O Orfanato (2007)

por Luis Galvão

 

quatro estrelas

Filmes de suspense estão cada vez mais em falta na indústria do cinema hollywodiano. Não me refiro as refilmagens produzidas pelo Michael Bay, e sim aos bons filmes  psicológicos que antes eram mais frequentes. Em contrapartida, em apenas três anos o cinema espanhol apresentou duas boas obras comerciais (REC e O Orfanato em 2007) que conseguiram resgatar o melhor em termos de tramas bem estruturadas e com o verdadeiro mistério que nos faz ficar sentados na beira da cadeira. Belén Rueda vive uma mãe que mora na casa que anos atrás tinha sido o orfanato no qual ela foi criada. Quando seu filho adotado some, repentinamente, ela se desespera para encontrá-lo. Só que acontecimentos misteriosos começam a ocorrer. Lembranças que se misturam a realidade e ilusões que a atormentam. Esse roteiro, porém, poderia facilmente não ser bem desenvolvido caso o diretor não brincasse com as tomadas de uma forma que Juan Antonio Bayona brincou. Com alguns cortes profundos, fotografia escura e jogo de imagens, Bayona dá a dinâmica necessária ao filme. Assim como Belén, que é – sem dúvida – uma talentosa atriz e sustenta o filme em alguns momentos. O mosaico que se forma na busca do filho perdido é muito mais do que parece (mesmo que utilizando de clichês) e se torna mais um exemplo do ótimo cinema estrangeiro que está sempre aberto a novos caminhos e gêneros. Produzido por Del Toro, ‘O Orfanato’ é engenhoso no melhor sentido da palavra.

O Orfanato (El Orfanato, J.A. Bayona)