Salt (2010)

por Luis Galvão

Muitos nunca ouviram falar, mas confesso que sou viciado desde criança (talvez uma herança paterna de leitura) nos livros da coleção ZZ7, que narra às aventuras da espiã Brigitte Montfort – mais conhecida como Baby – pelos diversos países em missões especiais da CIA. E porque começo a crítica ao filme de entretenimento policial do ano remetendo a essa literatura? Porque Salt tem tudo para ser a Baby da década.

Lembro-me de vasculhar todos os sebos em busca de novos livros e hoje tenho orgulho de ter uma coleção com mais de cinqüenta livretos da personagem (muitos anos e heranças familiares, confesso). Porém Salt conseguiu reunir em apenas duas horas – que passam mais rápido do que o normal – as mais diversas aventuras que se pode imaginar de uma espiã americana (ou russa). Não que o roteiro seja extremamente bem feito, na verdade ele é o que mais incomoda certos críticos, contudo não se pode negar que a ‘ação em si’ não diminui em um só minuto.

Parece que as reviravoltas na trama não foram bem programadas. Só que em blockbusters de qualidade como esse – ainda mais nos dias atuais – e é de se elogiar um filme que não entrega de cara todas as respostas e não subestima seu telespectador. Se Kurt Wimmer não entrega seu melhor roteiro, Phillip Noyce consegue filmar cenas de ação clichês de uma forma surpreendente. É algo que já foi visto em vários filmes (Stallone, Norris,Sseagal estão aí para provar), só que o diferencial está em Angelina.

A atriz que já foi vista como apenas mais um rosto (ou corpo) bonito em Hollywood vem escolhendo trabalhos diferenciados ao longo da carreira, mas sem esconder seu apreço a filmes de ação. E aqui ela talvez entregue seu melhor desempenho, já que Salt exige muito mais que força e habilidade do que outras heroínas do cinema. Salt exige mentira, aventura e saltos mortais. Lutas acrobáticas e disfarces bem realizados. Talvez por essas e outras que a aventura proporcionada por esse filme seja como os livros da ZZ7. Até repetitivas, mas incansáveis.

(Salt, EUA, 2010) Dirigido por Phillip Noyce e roteiro de Kurt Wimmer