Ponyo – Uma Amizade que Veio do Mar (2008)

por Luis Galvão

Não sou conhecedor do cinema de Miyazaki (nem o elogiado “A Viagem de Chihiro” eu tive oportunidade de assistir). E meu primeiro contato com os traços precisos e belos do artista japonês talvez não pudesse vir de outra forma. Assim como o pequeno Sosuke encontrou Ponyo na beira do mar, eu fui arremessado de cabeça na animação japonesa de alta qualidade. Uma daquelas experiências que não acontecem muitas vezes com esse gênero (antes tão esnobado, hoje, cultuado). Não sei se foi a trilha de Joe Hisaishi em perfeita harmonia com as mais belas imagens do oceano, ou a inocência da história do peixe que se tornou meio menina e sua luta pela amizada com um humano. Cada cena parece ter saído diretamente da mente de uma garotinha, mas se transformado numa obra de arte que por si só valeria o ingresso. Metáforas, neste caso, não são necessárias, nem análises profundas sobre diferenças. São as imagens surrealistas que só um gênio com domínio perfeito das mãos poderia criar e nos transportar para um universo que, provavelmente, apenas ele entenderia completamente.

(Gake no ue no Ponyo, Japão, 2008) Dirigido e Roteirizado por  Hayao Miyazaki