Tample Grandin (2010)

por Luis Galvão

image quatro estrelas Quando se pensa em filmes que retratam o autismo como uma doença capaz de atribuir ‘qualidades’ especiais a indivíduos que não se adaptam bem a lugares barulhentos, contato humano ou efusão de informações, é notável um esforço em mostrar que a doença não é uma porta fechada que não pode ser aberta. Temple Grandin é mais um exemplo que isso é possível e real. Ela pode não ser um gênio da álgebra ou um especialista em animais exóticos, mas foi capaz de criar o mais bem sucedido manejo de gado já visto. O diretor Mick Jackson demora um pouco para acertar a mão em contar a história da vida dessa mulher (os primeiros minutos não são tão bons), porém, mesmo quando o filme não está no ritmo certo por causa de cortes bruscos e desnecessários, Claire Danes consegue ter um ótimo  desempenho. Incorporando de cabeça na vida de Temple, Danes abdica de sua beleza natural para viver exatamente como a personagem. Olhos arregalados, fala rápida e trejeitos masculinos. Sua composição da Temple talvez seja o maior fator para que a vida de uma autista, que defendeu em sua tese de mestrado o mugido de um rebanho, seja tão atraente. Inclua uma trilha sonora de Alex Wurman belíssima, coadjuvantes (David Strathairn, Catherine O’Hara, Julia Ormond – todos indicados ao Emmy) com ótimos momentos e uma parte técnica digna de grandes cinebiografia. Quinze indicações ao Emmy fazem jus ao grande trabalho de toda equipe e o favoritismo em várias categorias não é à toa.

Temple Grandin. Dirigido por Mick Jackson e roteirizado por Christopher Monger.