Kick Ass – Quebrando Tudo (2010)

por Luis Galvão

Longe de ser o melhor filme do ano ou a melhor adaptação de quadrinhos para o cinema, Kick-Ass tem a vantagem de ser fiel ao que propõe desde o início: uma aventura nerd. E uma bela aventura. Quando Dave indaga sobre o quão idiota (e inusitado) seria se uma pessoa normal vestisse uma fantasia de super-herói e andasse pelas ruas salvando indefesos, um dos seus amigos diz que seria a coisa mais estúpida que alguém poderia fazer. Mas eis Dave se transforma no Kick-Ass (melhor seria se fosse ‘ass kicked’) supostamente salvando pessoas e sendo sucesso no YouTube. Isso seria o ponta pé inicial para um série de consequências que fogem de seu controle e acabam o envolvendo com um dos gigantes do crime. Aí começam os problemas, tanto do nosso herói nerd, quanto do filme.

Coincidências demais em todo momento. Grandes situações para algo que não precisava ser forçadamente exagerado. Não digo das cenas de ações, e sim o roteiro que consegue criar uma série de eventos envolvendo os protagonistas (Hit Girl, Big Daddy, Kick-Ass e Red Mist) que simplesmente não são nem um pouco verossímeis. Os entrelaçamentos das histórias não soam convincentes e se não fosse por um simples imprevisto premeditado, o filme não teria história. E o porquê das quatro estrelas acima? Não importa que tudo seja perfeitamente encaixado, nem que as cenas imitem o estilo de Tarantino (inclusive a trilha sonora), nem que a ‘auto-rejeição’ clichê dos super-heróis esteja presente e nem que a última cena simplesmente não funcione – pelo menos para mim. O mais legal é sentar e assistir a enxurrada nerd que vem, com todas as referências possíveis, todas as piadas funcionando, todas as cenas bem filmadas e o elenco se saindo bem. E, além de tudo isso, tem a Hit Girl, que por si só valeria qualquer filme.

(Kick-Ass, EUA, Inglaterra, 2010) Diretor: Matthew Vaughn Roteiristas: Jane Goldman, Matthew Vaughn; Elenco: Aaron Johnson, Christopher Mintz-Plasse, Mark Strong, Chloe Moretz, Nicolas Cage