My Fair Lady (1964)

por Luis Galvão

Sempre quando é questionada a preferência de algum filme especifico de um gênero, é difícil responder. Vários fatores influenciam tal decisão, seja o momento em que o filme foi visto, quantas vezes ele foi visto e o quanto sua opinião mudou com o tempo. No entanto, existem aqueles que nunca perdem seu charme mesmo após várias e várias revisadas. ‘Minha Bela Dama’ é o melhor exemplo disso.

Quanto mais o tempo passa, maior minha admiração por esse filme de 1964. Tentar imaginar uma produção desse porte em plenos anos 60 é incrível. São milhares de perucas, figurinos, cenários e coadjuvantes (na cena da corrida de cavalos e do baile são milhares!). Acompanhar toda a jornada da pobre vendedora de flores Eliza Doolittle (Audrey Hepburn), que tem o linguajar mais rude de toda Inglaterra, pelas mãos habéis do fonético Professor Henry Higgins (Rex Harrison) é ao mesmo tempo cruel e mágico.

Cruel pelos métodos utilizados pelo exigente professor, mágico por ser embalado pelas composições geniais de Frederick Loewe. Não são cenas de dança, nem um coro embalando. É a simplicidade da inserção das músicas que faz com que esse filme seja lembrado até hoje. As músicas não estão ali à toa, cada uma tem algo a dizer e acrescentar a história. O roteiro é completado pela trilha e vice-versa. Uma história que não precisa de arcos excessivos para agradar, nem de um drama que faça deprimir, é um filme que – mesmo após as três horas de duração – parece que passou em um piscar de olhos.

Citar a atuação de Audrey, Rex e todos os outros coadjuvantes, é ser clichê e redundante. Cada papel parece ser desempenhado como se fossem escritos diretamente a eles. Com oito estatuetas na estante, o filme ainda hoje pode ser considerado um referencial no uso de seus cenários (sua paleta de cores sempre é bem pensada) e na verdadeira definição de um musical clássico, no qual música e cinema estão em perfeita harmonia.

(My Fair Lady, EUA, 1964) Diretor: George Cukor;Roteirista: Bernard Shaw; Elenco: Audrey Hepburn, Rex Harrison, Stanley Holloway, Wilfrid Hyde-White, Gladys Cooper, Jeremy Brett; 170 min

* Esse é o centésimo post do ‘Galvanismo’!!

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