Alice No País Das Maravilhas (2010)

por Luis Galvão

Depois de quase um mês do lançamento oficial e da crítica americana não aprovar o novo longa de Tim Burton, ‘Alice No País Das Maravilhas’ ainda é líder de bilheteria no Brasil e arrecadou rios de dinheiro nos Estados Unidos. Isso tem um motivo. Se o filme fosse tão profundo e levantasse tantas questões filosóficas e – por que não – sociais quanto o livro que lhe deu origem, dificilmente teríamos um público tão grande.

Não que o filme seja ruim, mal feito ou exageradamente compreensível. Ele é um show visual e tem a Helena Bonham Carter criando um personagem memorável. Porém tem alguns erros e situações risíveis que incomodam em vários momentos, tirando o brilho (ou escuridão) que tentava passar. Não culpo o roteiro de Linda Woolverton deixar Alice (Mia Wasikowska) como coadjuvante para dar dimensões desnecessárias à Rainha Vermelha ou ao Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) ou a trama paralela da Rainha Branca (Anne Hathaway) querendo reconquistar o trono perdido. Talvez o problema seja com a forma simplista que trataram uma das obras mais clássicas da literatura inglesa.

A Disney, talvez, tenha parcela de responsabilidade em repreender o processo criativo de Tim em vários momentos (ele mesmo confessou isso), mas o estúdio estava à procura do seu resultado esperado: dinheiro. E, de fato, conseguiu. Entrando na moda do 3D desnecessário, o filme acompanha a jornada de Alice no País das Maravilhas com todos aqueles seres estranhos indagando quem ela é ou o que ela faz por lá, só que agora todos têm a resposta. Alice é a única que pode matar o dragão Jabberwock. Sim, temos uma cena de ação digna dos filmes fantasiosos feito para criança e que, provavelmente, nunca seria imaginada por Lewis Carroll.

Muito mais que uma direção de arte espetacular, esperava uma trama que fizesse o público pensar e não se acomodar com as respostas ou encaminhamentos tão clichês. O que falar, por exemplo, daquela dançinha final? Era isso que se esperava de Tim Burton? Talvez não. Porém não creio que o sucesso alcançado por este filme tenha sido em vão. O público gosta de aventuras, gosta de Depp, gosta de mocinhas que vestem armaduras, mas talvez se esqueceram que Alice não precisava mudar tanto para agradar.

Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, EUA, 2010) Diretor: Tim Burton; Roteiristas: Linda Woolverton, baseado no livro de Lewis Carroll; Elenco: Johnny Depp, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Crispin Glover, Matt Lucas, Stephen Fry, Michael Sheen, Alan Rickman; 108 min