Utopia e Barbárie (2009)

por Luis Galvão

Um documentário que tem o selo de Sílvio Tendler, que demorou dezenove anos para ser concluído e ainda toca em temas ‘obscuros’ do Mundo (a Ditadura Brasileira, o Holocausto, as bombas japonesas e tantas outras) só poderia resultar em mais um exercício para a memória e uma profunda reflexão sobre os dias atuais. Uma grande indagação sobre os rumo e conquistas que tanto vibramos e que parecem pouco comparados ao final dos anos 60.

Alongar-me sobre os diversos cenários que Tendler se aventurou é ser objetivo demais para uma obra que percorre os anos após Segunda Guerra e analisa com profunda dedicação todas as consequências incalculáveis que a população sofreu. Passando por diversos países (França, Espanha, EUA, Cuba, Vietnã, Israel, Brasil são só alguns) e colhendo os depoimentos de todas as pessoas – que vão de teatrólogo a economistas – é montado um grande mosaico de tudo que mudou o mundo em menos de um século.

Muito além de fazer esse estudo, Tendler ainda tem o mérito de não perder a tensão ao longo do documentário e o torna super interessante para aqueles que se interessam pelas histórias das nações ou pelas mudanças que ocorreram. O filme é intercalado por pensamentos do próprio diretor nas vozes de Letícia Spiller, Chico Diaz e Amir Haddad o que atrai ainda mais o espectador a ter uma visão crítica de tudo que é mostrado.

Difícil controlar o sentimento de horror em certas partes (principalmente aquelas ligadas aos grandes desastres) ou segurar a raiva a certos ‘líderes’. Porém, não se pode negar o lado extremista do documentário (o que não é condenável) e a dificuldade de comprimir meio século em pouco mais de duas horas. ‘Utopia e Barbárie’ é denso e didático o suficiente para ser apreciado por professores de história ou por aqueles que, com certo alívio, não viveu aqueles anos.

Utopia e Barbárie (Utopia e Barbárie, Brasil, 2009) Diretor/Roteirista: Silvio Tendler; 129 min.