Adam (2009)

por Luis Galvão

Um tanto subestimado nas premiações, ‘Adam’ é um drama que consegue emocionar sem precisar incrementar recursos narrativos mirabolantes ou reviravoltas surpreendentes, ele apenas mostra uma história de superação e um romance que tinha tudo para dar errado. E isso basta para se tornar um ótimo filme.

O inglês Hugh Dancy (do simpático ‘Os Delírios de Consumo de Becky Bloom’ e o tocante ‘Ao Entardecer’) vive com precisão um rapaz que sofre de Síndrome de Asperger, perde o emprego e tem que reconstruir sua vida. Ele encontra ajuda na sua nova vizinha Beth (a encantadora Rose Byrne), uma escritora de livros infantis, e no seu antigo amigo Harlan (um bom Frankie Faison). Beth e Adam criam, então, um estranho romance, já que a síndrome que ele sofre o impede de identificar os sentimentos alheios e se comportar muitas vezes como uma criança, mas isso não atrapalha o sincero amor dos dois.

Talvez a trama caminhe por um enredo bem clichê e com um final até previsível, mas mesmo assim consegue comover graças à veracidade que o roteiro dita. O diretor Max Mayer soube colocar um ritmo que nunca parece monótono e sempre acrescenta alguma coisa nova, sejam os pais de Beth (Peter Gallagher e Amy Irving) que passam por um problema ou pela procura por um novo emprego, todos os obstáculos de Adam são interessantes e convincentes.

Porém, o maior mérito está mesmo na química entre o Hugh e a Rose, ambos estão ótimos e a composição dos personagens não deixa margem para críticas – a Síndrome nunca parece exagerada ou inverossímil. É, portanto, um filme modesto, que fica na linha delicada da comédia, do drama e do romance, e no final passa uma mensagem de otimismo e superação que agrada.

Adam (Adam, EUA, 2009) Diretor/Roteirista: Max Mayer; Elenco: Hugh Dancy, Rose Byrne, Peter Gallagher, Amy Irving, Frankie Faison, Mark Linn-Baker, 99 min.
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