82nd Academy Awards

por Luis Galvão

Vamos ser realistas, o Academy Awards ainda não voltou a velha forma. Esse Oscar veio com a propaganda que seria o ‘mais diferente’ dos últimos tempos, mas o que vimos foi uma premiação monótona, previsível e que perdeu a agilidade que conseguiu ano passado. A começar pelos host (Steve martin e Alec Baldwin) que pouco apareceram, mas fizeram alguns comentários interessantes – o de Steve falando do discurso do roteirista de Preciosa foi um do melhores. O palco era bem bonito com grandes telões giratórios que revelevam os apresentadores pouco integrados.

Entre os premiados, Mo’Nique e Waltz receberam a consagração geral dos membros e foram apresentados com longos trechos de seus filmes. Mark Boal, mesmo com a polêmicia recente do seu roteiro, ganhou de Tarantino, e ainda uma vitória surpresa de Geoffrey Fletcher , o primeiro negro a ganhar na categoria de Roteiro Adaptado e uma forma de prestigiar o longa bem querido entre todos. Avatar levou três estatuetas (Direção de Arte, Fotografia – desing gráfico computadorizado? – e Efeitos Visuais), mas o grande vencedor da noite foi o filme da ex. Guerra Ao Terror roubou dois prêmios de Cameron (Edição e Mixagem de Som), levou Montagem merecidamente e ainda a casadinha perfeita de Diretora/Filme.

Kathryn Bigelow rompeu as barreiras e não tem como negar que foi ajudada pelo clima de renovação que o Oscar quer adotar a algum tempo. Chegando como favorita, Sandra Bullock fez o discurso sincero e certeiro, comprovando seu enorme carisma que lhe favoreceu a receber o prêmio e Meryl, como sempre, não se abalou e já podemos esperá-la novamente entre as indicadas de 2011. Jeff Bridges, no papel de sua vida, também foi bastante aplaudido por  todos.

O filme argentino o Segredo de Seus olhos derrubou o favorito A Fita Branca e o meu preferido O Profeta, mas não tem como não se empolgar com os amigos hermanos que acertaram  em cheio na trama. Em animação, Up já era o favorito desde que foi anunciado pela Pixar e  Michael Giacchino sempre faz trabalhos memoráveis, tanto na televisão e no cinema e finalmente ganhou seu careca dourado. Com o corte da apresentações das músicas indicadas, perdemos ótimas perfomances, mas em compensação os bailarinos de So You Think You Can Dance fizeram um número perfeito e o melhor momento da noite.

Outros filmes prestigiados foram Young Victoria (Figurino) e Star Trek (Maquiagem), o documentário magnífico The Cove e o curta criativo Logorama foram lembrados com méritos. Já Educação, Amor Sem Escalas e Distrito 9 sairam de mãos vazias, infelizmente. O que levar dessa premiação, então? Que é impossível e mal educado interromper discursos de pessoas ‘menos famosas’, que grandes clipes são desnecessários e que apresentadores carismáticos e brincalhões são melhores que rostos bonitos e vestidos elegantes. Sempre é esperado uma melhora a cada ano, porém infelizmente não foi dessa vez que o Oscar voltou a ser inovador, envolvente e ágil.