O Profeta (2009)

por Luis Galvão

O cinema francês, conhecido por seus dramas delicados e sensíveis, nos apresenta uma obra realista, crua e arrebatadora, mostrando a jornada de um homem que aprende a sobreviver na prisão. Jacques Audiard (do ótimo ‘De Tanto Bater o Meu Coração Parou’) é um diretor que não inova muito, porém traz tudo de melhor do cinema em uma das obras mais importantes e mais influentes da França dos últimos tempos.

O filme vai contar a história de Malik El Djebena (o genial Tahar Rahim) um árabe de 19 anos condenado a seis anos de cadeia. Atingido por um sentimento de solidão dentro do presídio, o jovem é obrigado a se envolver com um esquema de assassinato comandado por César Luciani (um ótimo Niels Arestrup). Contudo, Malik aprende rápido que na penitenciária cada uma trabalha para si e começa a desenvolver seus próprios planos secretamente. As circunstâncias transformam o ingênuo em um criminoso astuto e pronto para agir.

Impressionante. Talvez a trama não seja muito original, nem o desfecho seja diferente do visto, mas Audiard foi um mestre por trás das câmeras. Cada gesto de transformação do Malik é cuidadosamente trabalhado no desempenho de Tahar e os closes acentuam essa alteração. O roteiro é genial, trabalha todo o lado psicológico dos personagens e ainda nos delicia com cenas de tirar o fôlego de tão realistas, se assemelhando às vezes a um documentário. São duas horas e meia de tensão, apreensão e ansiedade para o próximo passo do árabe que reaprende a viver.

É um filme que não precisa ser violento para ser verossímil. Tecnicamente belo, com uma fotografia adequada, uma montagem de Juliette Welfling eficaz e trilha de Alexandre Desplat fundamental, o longa levanta questões sociais e adere às características européias para transpor lições universais, colocando o presídio como um objeto de análise sob uma ótica geral. É como se assistíssemos um novo personagem criando vida aos poucos, sendo moldado da forma mais real e audaciosa possível.

O Profeta (Un prophète, França, Itália, 2009) Diretor: Jacques Audiard;Roteiristas: Thomas Bidegain, Jacques Audiard, Abdel Raouf Dafri, Nicolas Peufaillit; Elenco: Tahar Rahim, Niels Arestrup, Adel Bencherif, Hichem Yacoubi, Reda Kateb, Jean-Philippe Ricci, Gilles Cohen, Antoine Basler, Leïla Bekhti, Pierre Leccia; 155 min.
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