Nine (2009)

por Luis Galvão

Adaptar qualquer obra para o cinema é um trabalho difícil, e todo diretor deve está preparado para críticas, sejam elas vindas dos fãs dos produtos originais ou dos críticos que esperam vê uma coisa totalmente diferente nas telas. Rob Marshall já se aventurou duas vezes nessas adaptações e fez trabalhos com um visual incrível, mas com algumas falhas. ‘Memórias de uma Gueixa’ e ‘Chicago’ são filmes apontados apenas como mediano, no entanto cada um teve seus méritos merecidos. ‘Nine’ é seu terceiro filme e sua terceira adaptação, o mais esperado era vê um amadurecimento em suas técnicas e um aperfeiçoamento da sua forma de dirigir, isso ainda não é muito notável, mas vê-se que o trabalho dele está se expandindo e que, logo mais, chegará ao seu melhor.

‘Nine’ é baseado em um musical da Broadway (que teve um revival em 2003 com Antônio Banderas, Jane Krakowski e Chita Rivera), que já foi uma adaptação para os palcos do filme de do diretor italiano Federico Fellini, “8 ½”. Conta-se a história de um diretor de cinema que teve seu auge nos seus primeiros filmes, mas emplacou fracassos seguidos, e na tentativa de restabelecer sua inspiração vai à Itália, ele é Guido Contini (Daniel Day-Lewis). Angustiado por esse bloqueio, Guido vai relembrar todas as mulheres que conseguiram, de uma forma ou de outra, mexer com as emoções desse diretor. Aqui incluem a mãe (Sophia Loren), a esposa (Marion Cotillard), a amante (Penélope Cruz), a musa (Nicole Kidman), a repórter (Kate Hudson), a prostituta (Fergie) e a confidente (Judi Dench).

Se alternado entre apresentações grandiosas ou minimalistas, todas essas atrizes/cantoras dão show, o destaque – é claro – cabe a Marion que desempenha a mulher que mesmo sabendo que é traída não deixa de amar seu marido, suas cenas são arrebatadoras e ‘Take It All’ é a melhor parte do filme. Talvez nem todas tenham o tempo em cena que mereciam (Nicole e Loren mereciam mais), porém o filme tinha que ser bem enxuto, pois a história não é uma das mais fáceis de entender (culpa do roteiro, não muito inspirado, de Michael Tolkin e Anthony Minghella). Day-Lewis está apenas bom e Judi e Penélope lutam em cada minuto de cena para atrair atenções e conseguem fazer seus personagens coadjuvantes profundos e decididos. Nicole tem uma cena apenas e é emocionante, já as outras tem números bons, mas que não acrescentam muito a trama. Uma pena, é verdade.

A parte técnica é impossível passar despercebida, com uma fotografia maravilhosa em tons escuros e uma montagem rápida que pode parecer confusa de primeira vista, mas é perfeita e bem colocada, uns figurinos bem desenhados, uns cenários grandiosos, tudo é impecavelmente estudado e colocado em prática. Porém, cuidado. Não vão ao cinema pensando em vê o clássico de Fellini adaptado, esse aqui passa longe, vão com o intuito de se entreter, ouvir as belas músicas, e apreciar o cinema-teatral que só o Marshall sabe fazer.

‘Nine’ é, além de tudo, ardor, arte, fantasia, vontade, idolatria, atitude, desilusão, fantasia, e talvez por isso ele se torne a sua própria vítima.

9,5/10
Nine (Nine, EUA, Itália, 2009) Diretor: Rob Marshall;Roteiristas: Michael Tolkin, Anthony Minghella, Arthur L. Kopit, Maury Yeston, Mario Fratti;Elenco: Daniel Day-Lewis, Marion Cotillard, Penélope Cruz, Nicole Kidman, Judi Dench, Kate Hudson, Sophia Loren, Stacy Ferguson, Ricky Tognazzi, Giuseppe Cederna;118 min.
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