Amor Sem Escalas (2009)

por Luis Galvão

Qual o segredo de agradar o público, a crítica e se tornar um dos favoritos do Oscar? Ou utilizar um exército de tecnologia para surpreender os olhos, ou criar uma trama com tema contemporâneo, repercussão mundial e atores entrosados. ‘Amor Sem Escalas’ escolhe o segundo caminho e o faz com tanta dedicação que é difícil não se emocionar em algumas partes e torcer para que ele se saia bem nas premiações.

Ryan Bingham (George Clooney) tem uma das mais difíceis profissões do setor de RH de empresa: ele é contratado para demitir funcionários. Em plena crise econômica mundial, o emprego dele é solicitado em demasia e sua vida pessoal – que já era precária – é se torna inexistente. Alternando entre encontros ‘casuais’ com uma executiva, Alex Goran (Vera Farmiga), e pouco contato com sua família, Bingham vai se deparar com uma especialista em negócios Natalie Keener (Anna Kendrick) que planeja acabar com sua profissão, pois criou uma maneira mais eficiente de demitir as pessoas. Daí os dois partem em várias viagens para que  Ryan mostre a Natalie que seu trabalho é mais difícil do que ela imagina.

O diretor Jason Reitman utiliza uma forma inteligente de mostrar as coisas, é nos pequenos gestos ou tomadas que ele realmente mostra a alma do filme. Seja na rotina robotizada dos escritórios ou nos depoimentos dos demitidos, o sentimentalismo norte-americano com a crise está presente. Clooney, porém, dá vida a um personagem que simplesmente parece não ser afetado por nada nem por ninguém, ele – com uma atuação ótima – é acompanhado pelas belas Kendrick e Farmiga (esta chega a ser melhor e mais convincente que o protagonista) que tentam dar um sentido maior na vida desse homem.

Com uma das melhores montagens do ano, um roteiro ágil e preciso discussões, um elenco maravilhoso e uma direção eficiente e segura, o filme é um merecedor de prêmios – não tantos, é verdade – que conquista e se deixa enganar pelo desprezível título brasileiro. ‘Amor Sem Escalas’ não é uma comédia romântica com um fundo social, é uma análise profunda sobre o momento de perturbações globais que vivenciamos. ‘Up In The Air’ está para crise econômica da década assim como ‘The Hurt Locker‘ está para os conflitos no Oriente, daí você pode imaginar o que isso signifique.

9,0/10
(Up in the Air, EUA, 2009) Diretor: Jason Reitman;Roteiristas: Jason Reitman, Sheldon Turner, Walter Kirn; Elenco: George Clooney, Vera Farmiga, Anna Kendrick, Jason Bateman, Danny McBride, Melanie Lynskey, James Anthony;  109 min.