Shine – Brilhante (1996)

por Luis Galvão

Scott Hicks, diretor australiano do agradável ‘Sem Reservas’, realizou em 1996 uma cinebiografia do famoso pianista David Helfgott, tendo a interpretação de Geoffrey Rush sendo reconhecida até pelo Oscar. É verdade que o filme é bem tocante e os atores estão ótimos, Scott foge de alguns lugares-comuns e faz dessa obra um ótimo filme.

Helfgott era um menino talentoso desde criança, e consegue entra em uma Escola de Música bem conceituada sob os olhos opressores e – até invejosos – do seu pai, Peter (Armin Mueller-Stahl, poderoso e indicado para melhor ator coadjuvante). Ele sente uma pressão tão grande do pai e da academia que acaba por ser internado no hospício, mesmo que não fosse literalmente um louco (mas chegasse bem perto disso). Lá ele conhece Gillian (Lynn Redgrave, ótima), uma mulher mais velha que lhe dá forças para voltar a tocar e prosseguir com sua vida artística.

Histórias de superação já foram temas de vários filmes, aqui o diferencial é a carga dramática que Rush consegue passar na fase adulta e Noah Taylor na adolescência. A interpretação dos dois, junto com Stahl e Redgrave, dá o tom do filme e aliados a uma trilha sonora composta por músicas do próprio Helfgott conseguem emocionar em várias partes.

Narrado em ‘flashback’ e dispensando aquela voz em ‘off’, Hicks acerta em muitos aspectos e faz uma obra brilhante, inspirada e longe de alguns clichês de cinebiografias, já que aqui a montagem não parece episódios da vida do pianista sendo relembrados e sim a história completa de um gênio, do começo ao fim.

8,5/10
(Shine, Austrália, 1996) Diretor: Scott Hicks;Roteiristas: Jan Sardi, Scott Hicks;Elenco: Geoffrey Rush, Justin Braine, Sonia Todd, Chris Haywood, Alex Rafalowicz, Gordon Poole, Armin Mueller-Stahl, Nicholas Bell, Danielle Cox, Rebecca Gooden, Marta Kaczmarek, John Cousins, Noah Taylor,Lynn Redgrave;104 min.