Lula – O Filho Do Brasil (2010)

por Luis Galvão

Antes mesmo da estréia, esse filme já dava o que falar. Campanha política? Promoção para cargo em órgãos mundiais? ‘Lula, o filho do Brasil’ é ainda motivo de desconfiança entre muitos que veem no filme uma propaganda política descarada. Mas longe de fazer esse debate (não estou aqui para isso), o longa parece uma sequência gradativa de acontecimentos marcantes da vida do nosso presidente. E só. Falta uma alma guerreira, um carisma ameno e um diretor que não tivesse medo de desmistificar ou endeusar o filho de Dona Lindu.

O início do filme não vai contar a história de Lula, e sim de sua mãe (Glória Pires), uma nordestina retirante com um marido (Milhem Cortaz, com cenas risíveis) alcoólatra, ela larga o sertão de Pernambuco e vai para São Paulo na década de 50. Chegando lá, vai retratar toda aquela história de superação, luta e batalha que estamos tão acostumados a vê no cinema brasileiro. Mulher sofrida que tem como principal objetivo dá uma vida melhor para os seus filhos.  Nessa primeira parte destaco o trabalho do Lula adolescente, um ótimo Guilherme Tortolio que é um destaque na película inteira e Glória, que parece ter o único personagem que realmente está vivo.

Na segunda parte, com o Lula (Rui Ricardo Diaz, muito semelhante) já líder sindicalista, até mesmo os famosos discursos são mostrados de forma rápida e pouco contagiante indo de encontro ao verdadeiro chefe que emocionava multidões com sua oratória simples. E um salto – enorme – na vida dele se segue, esquecendo de mostrar os anos de verdadeira revolta do nosso líder e quando finalmente o filme perecer entrar em uma parte da história boa, o filme acaba. Ou seja, a película não mostra nem o presidente que antes era temido por seu jeito agressivo nem sua fase atual de apego popular.

Com todo o material que tinha em mãos – ninguém pode negar que a vida de Lula é um exemplo – Fábio Barreto desperdiça a chance que tinha em mãos e faz uma obra que presa por contar fatos da vida do nosso presidente em ‘capítulos’ separados, sem que as ações passadas interferiram no presente. O ‘personagem’ Lula é raso e parece não ter memória, vive como se cada dia fosse isolado do tempo. Dona Lindu (nome de um grande ‘elefante branco’ na beira da Praia de Boa Viagem. Ops! Nome de um parque no litoral de Pernambuco recém-construído) é a grande alma do filme, e se não fosse por ela, o longa seria seco, vazio e sem esperanças, assim como o sertão é retratado naquelas imagens clichês do começo do filme.

5,8/10
(Lula, O Filho do Brasil, Brasil, 2010); Diretor: Fábio Barreto;Roteiristas: Fernando Bonassi, Denise Paraná, Daniel Tendler; Elenco: Rui Ricardo Dias, Glória Pires, Juliana Baroni, Cléo Pires, Lucélia Santos, Milhem Cortaz, Marcos Cesana; 130 min.
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