A Hospedeira (2009)

por Luis Galvão

Queimo minha língua por ter tanto receio com os livros da Saga Crepúsculo de Stephenie Meyer, agora tive até vontade de lê-los. Após o sucesso instantâneo do trio Jacob, Bella e Edward, Meyer lança um livro mais adulto que consegue criar um universo bem maior do que o de a cidadezinha de Forks, um universo paralelo no qual a Terra está habitada por extraterrestres, denominados “Almas”, que precisam de corpos hospedeiros para sobreviver.

Após essa invasão (que ocorre da forma pacífica e discreta), os alienígenas conseguem controlar tudo o que o homem terrestre não conseguiu. Eles não poluem o ambiente, não batalham por dinheiro, nem prejudicam uns aos outros. Mas eles roubam a ‘consciência’ – se assim pode-se dizer – dos indivíduos e se apossam dos corpos. Uma dessas ‘Almas’, chamada Peregrina, se instala no corpo da jovem Melanie (uma das poucas humanas que sobraram na Terra e integrante de um movimento de resistência aos extraterrestres) com o intuito de entrar na mente da jovem e procurar onde os outros revoltosos se encontravam. Mas as coisas não saem do jeito esperado, pois Melanie tem um amplo controle de sua própria mente e Peregrina não consegue localizar todas as informações da humana. Peregrina e sua hospedeira ficam, portanto, dividindo memórias, e discutindo dentro de um mesmo corpo.

A trama pode ser um pouco complicada – e na verdade, é um pouco sim – mas Meyer provou o porquê de ser um sucesso. Ela sabe desenvolver uma história ágil, com vários focos, mas com um tema central. O romance, que envolve Jared, um amigo de Melanie, vai agradar os amantes de ‘água-com-açúcar’ de uma forma diferente, e a fuga dela para um abrigo vai afagar os fãs de aventura.

Com uma idéia bem mais criativa do que a Saga dos Vampiros, ‘A Hospedeira’ é uma trama inteligente, em que Meyer provou que pode criar um mundo tão complexo e criativo quantos outros escritores famosos por isso. Uma adaptação para as telas já é prevista (cogitam até o nome de Andrew Niccol para direção), o que nos resta é, portanto, esperar uma continuação nos livros, e mais um possível sucesso depois da finalização dos filmes de ‘Twilight’. Só que agora com um universo bem mais atraente, mas não menos complexo, que os outros livros de Stephenie.

(‘The Host’; Stephenie Meyer; 2009; Editora Intrínseca)