Avatar (2009)

por Luis Galvão

James Cameron disse certa vez que era o ‘Rei do Mundo’. Que mundo seria esse planejado e comentado pelo diretor? Com certeza é o mundo de Pandora. Aqui ele é o rei supremo que comanda todas as ações dos personagens, cria um universo habitado não por ETs e sim por uma civilização nunca imaginada, atualiza o gênero da ficção e nos entrega o que há de melhor em termos dessa nova tecnologia que está ganhando espaços cada vez maiores nos cinemas, o 3D.

O filme é um filme descritivo. Em Pandora existe uma fauna e flora milimetricamente pensada, com espécies únicas e mágicas, um sistema de governo que nos lembra os primeiros da nossa civilização, uma religião, uma estrutura familiar, uma língua, uns costumes que parecem ter levados anos para se desenvolverem – na verdade levou quase dez anos. O Planeta respira, e isso é inacreditável e perece impossível diante dos olhos.

A trama dos ‘homens do espaço’ (os seres humanos) que invadem a terra dos Na’vis, rouba-lhes um metal abundante para lucrar e ainda extermina parte da população dos seres azuis vai lembrar imediatamente nossa colonização brasileira de exploração e escravização. Mas ao contrário dos nossos índios que não fizeram a resistência suficiente para espantar os povos europeus, os Na’vis estão prontos para lutar e vencer, munidos de uma paixão por sua terra que dificilmente se repetiria aqui em nosso planeta. Eles são símbolos de que a união por uma causa maior sempre é fonte de bons frutos.

Obviamente, pelo que dá para notar, o filme – para mim – não é sobre um fuzileiro paralítico (Sam Worthington) que se infiltra nos campos dos habitantes de Pandora para ser uma espécie de espião na terra dos outros. Nem de um coronel hipócrita, arrogante e maquiavélico (Stephen Lang) capaz de tudo para conseguir o que quer. Nem mesmo de um romance inesperado entre o tal fuzileiro e um moradora do Planeta (Zoë Saldaña). O Filme fala sobre um povo, uma nação que se une para derrotar inimigos que (pasmem!) é o único ser ‘racional’ da Terra.

Épico, mágico, grandioso, inovador, com forças suficientes para ultrapassar décadas sem parecer velho, ‘Avatar’ chegou para ser a grande ficção da década. Isso é fato. Se vai ganhar prêmios, se indicado em todas as categorias, sair como o grande injustiçado do Oscar, não importa. O formidável é poder respirar o ar de ‘Pandora’ que salta da tela e invade a sala de cinema como nenhum outro filme jamais conseguiu.

9,8/10
(Avatar, EUA, 2009) Diretor/ Roteirista: James Cameron; Elenco: Sam Worthington, Zoe Saldana, Sigourney Weaver, Stephen Lang, Michelle Rodriguez; Duração: 150 min.
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